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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Tóquio - Part VIII e última...

Falta cerca de uma hora para a reunião final. Tudo pronto. Tranquilo.
Venho só aqui despedir-me de Tóquio e do Japão e de vocês, para já. Depois da reunião final só vai dar para ir a correr para o aeroporto de Narita e apanhar um avião dos meus amigos da Air France. Talvez consiga fazer um post desde Paris, no lounge do aeroporto CDG, onde prevêmos chegar às 04h25 da manhã... Engraçado porque a maior parte das pessoas que lê este blog está dormir agora e vai estar a dormir também no próximo post!!!
Entretanto vou tentar responder a todos os comentários que me foram enviando enquanto estive aqui estas duas semanas.
Beijinhos, abraços e festinhas para o meu cão! E para os cães e gatos de quem lê este blog também, vá... A espiritualidade japonesa fez-me bem!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Tóquio - Part VII

São 01h40... A reunião final está quase, quase preparada. Mas agora é tempo de ir descansar. Ainda tenho a manhã de amanhã para limar alguns detalhes. Neste último dia de missão, apanhámos o autocarro para irmos até Tsukuba, a norte de Tóquio, para visitar uma fábrica de óleo de peixe. Posso dizer que não vi um único peixe. Só tubos e tanques em aço inoxidável e torneiras e manómetros e bidons de óleo... Engraçado. E rápido. Acabámos mais cedo do que o previsto e às 17h30 já estávamos de volta a casa. Adiantei trabalho até ao jantar que, como prometido, foi no restaurante português "Adega Portuguesa - Vilamoura". Claro está que nem uma santa palavrinha de português se falava na dita adega... Mas havia símbolos de Portugal por todo o lado: cachecol, galo de Barcelos, postais do estádio do Benfica, vinhos portugueses de norte a sul, fotos... Bem bom para matar saudades. Uma espécie de bacalhau com natas, pataniscas e pastéis de bacalhau com um copo de tinto Lello 2006 foi o meu último jantar em Tóquio. Não deixa de ter a sua piada!!
Fiquem bem e até amanhã.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Tóquio - Part VI

Mais um dia... ou menos um dia? Diria ambos. Continuámos a visita aos seis campos de futebol e foi deveras interessante. Mais surimi, ou frutos do mar como lhe chamamos em Portugal, de todas as formas e feitios. No caminho para a fábrica, reparei que uma das ruas de Himeji está pejadinha de cabeleireiros! Ele é porta sim, porta não... Impressionante! E os japoneses muito simpáticos até nem têm cabeleiras excepcionais para terem de ir arranjá-las. Eu acho que dava para ir ao cabeleireiro durante um ano inteiro sem repetir o mesmo! No caminho também, o taxista que nos, indicou-nos o sítio onde o Tom Cruise ficou durante 2 meses para filmar o "O Último Samurai". Wow! Temos pena, mas não nos podemos demorar... Na estação de Himeji, enquanto esperávamos pelo nosso comboio (carruagem 8 do Nozomi), um outro comboio igual atravessou a estação a uma velocidade que eu diria... espantosa!! Fez-me rever a minha opinião sobre o quão fraquinho eu achei que o comboio "bala" era... Foi fantástico!
As 4 horas de viagem serviram para por o trabalho em dia. A reunião final aproxima-se e o friozinho na barriga torna-se mais forte. Amanhã ainda há mais uma visita, com 4 horas de autocarro prometidas. Há que fazer um esforço... Tal como hoje. O que só me deixou vir aqui à 00h50... E me faz lembrar que tenho de ir dormir!!
A chegada a Tóquio foi feita debaixo de uma neve miudinha, que ficámos a saber não ser normal por estas paragens. Que sortudos! O jantar desta vez foi num restaurante turco. Um pouco carote... Amanhã, restaurante TUGA!!! Se forem ao primeiro post de Tóquio, vêem lá uma foto.
Hoje não houve troca de cartões de visita (ufff!!!) mas troquei de calçado 4 vezes e lavei as mãos e desinfectei-as com alcóol 8 vezes. Puxa!
Estou de volta à minha "casa" em Tóquio (já é a sexta noite que aqui fico, já dá direito a ser não dá?) e puseram-me outra vez num quarto diferente. Não tinha ainda dado por isso, mas quando ficamos no mesmo hotel, em alturas diferentes e em quartos diferentes, às tantas começamos a baralhar tudo... A saída do quarto para os elevadores então é garantido! Engano-me sempre! E já me esquecia... Nos quartos de hotel há sempre leitura de cabeceira garantida, quanto mais não seja a Bíblia. Pois aqui no Japão também há os Ensinamentos de Buddha... E esta hein?




Queria desejar ao meu irmão, Nuno, e à sua namorada, Sílvia, toda a sorte do mundo na sua nova aventura que começaram no último fim-de-semana: morar juntos!! Sejam felizes!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Himeji

Este é o... (tempo para pensar...) melhor dito, foi o sétimo dia de missão. Faltam três. Está quase. Depois da estadia curta em Hiroshima, e de uma visita a mais um laboratório, apanhámos o comboio para Himeji, a caminho de Tóquio. Fazemos uma paragem nesta cidade para visitar uma fábrica, que na verdade são três, e que ocupa o espaço de seis campos de futebol!! Estivemos lá hoje e amanhã lá voltaremos. Contabilizámos hoje 5 rituais de troca de cartões de visita. O meu colega espanhol tem lutado desesperadamente para se manter dentro do grupo dos "cartonados" graças aos cartões que tem descoberto nos lugares mais reconditos da sua bagagem...
A grande atracção de Himeji é o seu castelo, considerado património da humanidade. Só o vi da estrada quando ia a caminho da fábrica (e pareceu-me enorme...) e da janela do hotel consigo ver uma ponta do telhado iluminado... Bolas! Enfim, podem saber mais se clicarem aqui.
Finalmente conseguimos convencer os colegas japoneses muito simpáticos a jantar connosco, se bem que com a ajuda do colega da autoridade regional de Kinki (sorriso parvo...). Levaram-nos a um restaurante japonês e da ementa fizeram parte: ouriços do mar, tofu frito, nigiri de algas, atum, búzio, polvo, peixe branco, cenoura e rábano ralados, espetadas de galinha com diferentes molhos, espetada de fígados de galinha, legumes tipo pickles, cerveja japonesa e claro, soja, gengibre e wasabe. Como não tinhamos intérprete foi engraçado tentarmos falar uns com os outros mas safámo-nos muito bem. Aprendi as seguintes palavras:
- Muito obrigado = Arigato gozaimasu
- Delicioso = Oyshi
- Bom apetite = Itakadimasu
- Saúde = Kanpai
E ainda tive tempo de me lembrar de desenhos animados como "Conan, o rapaz do futuro", aquele rapazito de calções e camisola de alças, sempre descalço, a desancar em aviões gigantescos só com a força dos braços, num futurista planeta Terra, em recuperação depois de ter sido assolado pela destruição... Para mim, já lá vão mais de 20 anos quando via o "Conan", para a juventude japonesa parece que ainda é um sucesso...
No fim do jantar, houve uma cerimónia de encerramento da "festa" como eles lhe chamam. Chama-se "shime" e é como uma espécie de agradecimento comum pelo bom momento passado. Diz-se "Oy" ao princípio e depois batem-se palmas numa sequência definida, repete-se duas vezes de seguida e depois aplaude-se no fim. Foi divertido!
Amanhã é o regresso definitivo a Tóquio, pelo menos ao hotel Imperial como poiso nocturno.
Até mais!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Hiroshima

Só de escrever o nome desta cidade fico com um arrepio na espinha... É impossivel passar por aqui sem nos lembrarmos do que aconteceu há 64 anos atrás... Ficou na história e alterou a história de todo um planeta.




A manhã de hoje foi passada num comboio, supostamente "bala", mas pelas nossas contas não deve dar mais do 250km/h... Fraquinho... Mas tem mais pinta que os da primeira semana. Quatro horas de viagem que deram para ler, trabalhar um pouco, começar a organizar as músicas do meu iPod (finalmente!!) e almoçar uma das famosas "lunch box". Há uma data de lojas dentro das estações que vendem caixinhas com toda a espécie de comida. Eu escolhi uma de sushi e quando iniciei o meu repasto, fi-lo logo da melhor maneira: a tentar comer umas folhas verdes que envolviam uma fatia de peixe com arroz por baixo... Eu bem que tentei e até consegui comer um bocado... Até perceber que aquilo era só para servir de invólucro!!!! De caminho vimos o monte Fuji ao longe... E mesmo ao longe parece enorme!




A tarde foi passada a visitar a fábrica do inventor dos frutos do mar ou "surimi"... Aquelas barritas de peixe com sabor a caranguejo, com uma cor avermelhada por cima, sabem? Pois o pai do actual presidente da fábrica teve esta ideia em 1978 e desenvolveu a técnica de fazer parecer aquilo mais comestível do que aparenta ser. Não vos quero assustar, até porque não encontrei nenhum problema, mas se vissem como é feito se calhar ficavam surpreendidos!! E não vou deixar de os comer, acreditem, porque até ficam bem numa massa com mais marisco!
Para matar saudades da India, que é já aqui ao lado, o jantar foi num indiano (os cozinheiros eram de certeza!) com direito a uma cervejinha Kingfisher!
Amanhã há mais de Hiroshima e, ao fim do dia, de Himeji.
Até depois!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Tóquio - Part V

Hoje não há nada para contar. Foi trabalhar desde as 09h00 até às 14h30, comprar os bilhetes para os comboios da segunda semana de missão, almoçar um sushi muito bom (um temaki de atum de chorar por mais!) e voltar ao trabalho até às 20h30. Às vezes também é preciso!
Amanhã o primeiro destino é a cidade de Hiroshima, com uma equipa inteiramente ibérica. Olé!
E vocês, têm novidades?
Sayonara!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Tóquio - Part IV

Descanso, passeio, relaxar... As palavras de ordem do dia de hoje, que está quase a terminar. Começou mais tarde, com direito a um sono reforçado para compensar os minutos não dormidos durante a semana por causa do jet lag. Depois do pequeno almoço no 17º andar do hotel, com uma vista bem bonita da zona do palácio imperial, aventurámo-nos no metro de Tóquio... São linhas e linhas de metro, que percorrem a cidade de fio a pavio. Têm até duas empresas de metro!!! Impressionante!!! No entanto, apesar da quantidade, tudo se torna fácil por via da capacidade organização que os japoneses muito simpáticos têm. Na primeira visita do dia fomos a um templo shinto chamado Meiji Jingu. O templo é dedicado às almas divinas do Emperador Meiji e da sua consorte Emperatriz Shoken. É um sítio de tranquilidade, paz, bem-estar, comunhão com a humanidade... Vi vários casamentos, com os trajes tradicionais do Japão. Vi também um sítio onde todos podem deixar as suas preces por escrito para depois serem levadas ao centro do templo para serem atendidas. Vi uma em português!!! Bem interessante.






Voltámos ao metro e fomos até ao parque Ueno, onde se encontram uma dezena de museus importantes, o jardim zoológico e mais um templo shinto. Muitos japoneses e japonesas muito simpáticos na rua, a passear e a disfrutar do excelente tempo que fez o dia todo.






Almoçámos pela zona de Ueno e depois decidimos andar um pouco... Ruas estreitas com néons de todas as cores e feitios, lojas a vender tudo e mais alguma coisa, tudo à pinha... Mas organizado!!







No caminho deparámo-nos com o "Café Trim Bar"... Foi só rir!! Finalmente apanhámos o metro para a zona de Ginza, onde estão as lojas das marcas mais conhecidas do mundo, e cujas ruas fecham ao fim-de-semana para se poder passear à vontade. Numa loja da Adidas, adquiri o meu presente: a camisola da selecção japonesa de futebol! Todo contente regressei ao hotel, cansado de tanto andar... Um duche e uma soneca serviram para reparar forças até ao jantar, que desta vez foi num restaurante tailandês.
Amanhã a equipa fica com menos um membro e eu vou dedicar-me ao... Trabalho!!! Sim, é preciso, apesar de ser domingo, porque não pode ser sempre laurear a pevide!!
Parabéns ao Rodolfo!!! Grande abraço desde o país do sol nascente!!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sendai e Tóquio - Part III

Quinto dia. Calminho, para acabar a semana em beleza... Dois comboios pela manhã, de Aomori para Sendai. O primeiro normal o segundo o tal "Superexpress" ou mais conhecido por comboio bala. Épá... Comboio bala... Quer dizer... Dentro da carruagem não deu para perceber se é rápido o suficiente para lhe chamarem bala... Mas a verdade é que 400km foram feitos em 1 hora e meia. A forma do comboio até parece a de uma bala... Foi confortável apesar de tudo. Em Sendai, cidade mais moderna que Aomori, tudo é plano e parecia que uma mega máquina de alcatroar tinha passado pelas ruas da cidade. Alcatrão impecável em todo o lado. Impressionante! Depois de uma visita a um laboratório, almoçámos num restaurante japonês à beira mar, sentados num tatami, com aquelas mesas baixinhas. "Chirachi" era o nome do prato e tinha muitas fatias de peixe, arroz, ovas e uma sopa a acompanhar. Muito bom!
Como estávamos perto de uma das três mais importantes paisagens do Japão, Matsushima, um conjunto de 260 ilhas calcárias, os colegas japoneses muito simpáticos levaram-nos a dar um passeio de barco pelas ilhotas. Uma colega até comprou um pacote de comida para dar às gaivotas... A maior parte delas vem comer à mão!!! Foi uma experiência bem engraçada para além da beleza natural subjacente...







O regresso a Tóquio fez-se de novo no comboio bala e a chegada à estação de Tóquio foi também ela sui generis. Acho que nunca tinha visto tanta gente à espera numa estação de comboios, e não estou a falar das plataformas... Estava tudo a olhar para os écrans dos horários dos comboios para ver qual é que iam apanhar, ainda antes de entrar na estação propriamente dita... Centenas de pessoas! Por falar em pessoas, os jovens japoneses têm o seu estilo muito próprio, que passa normalmente pelo exagero... Temos as meninas de uniforme muito curto, os rapazes de cabelos compridos sobre os olhos ou em cristas excêntricas e calças a cair pelas pernas abaixo, ténis vistosos, as adolescentes com calções de gangas, que mais parecem a parte de baixo de um bikini, e collants coloridos, muita maquilhagem e os eternos telemóveis multifuncionais. Um mundo à parte...
Estou portanto de volta ao hotel inicial em Tóquio e o jantar foi novamente na típica tasca japonesa. Ficámos clientes! O menu é tipo "fast food", à vista do cliente, só com ingredientes do Japão e serviço cordial e amigável com trinta mil "arigatos" pelo meio.
Resumo do dia: Uma cerimónia de troca de cartões de visita, uma troca de chinelos e duas despedidas com direito a foto e tudo.
O fim de semana vai servir para descontrair... Amanhã um pouco de turismo por Tóquio e domingo início das hostilidades para a preparação da reunião final na sexta-feira.
Parabéns à Filipa por mais uma primavera!!! Bom jantar para todos!!!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Aomori - Part IV

Quarto dia. Quase a meio... Manhã dedicada a áreas de produção de vieiras. Fomos de barco até ao sítio onde as colhem. O tempo não estava grande coisa, um frio de rachar, algumas ondas e chuva... Ainda assim sempre interessante. Os dedos das minhas mãos é que não acharam piada nenhuma!! Entre a visita da manhã e da tarde, visitámos uma exposição sobre a aquicultura de vieiras nesta zona, tipo parte cultural da missão. O saber não ocupa lugar.
O almoço foi de novo de "lunch box", numa sala à parte, apesar de eu ter insistido para almoçarmos todos juntos. Argumento japonês muito simpático: "nós achamos que se sentirão mais confortáveis na sala que reservámos para vocês". Não discuti mais... Seguiram-se 5 horas de reunião, com diferentes colegas, tipo interrogatório... Esgotante! Mas proveitoso.
Contabilizei três cerimoniais de troca de cartões de visita. Os meus colegas passaram oficialmente a ser renegados da sociedade por não terem mais cartões de visita. Eu ainda tenho alguma margem de manobra...
O jantar foi no restaurante italiano que ontem estava cheio (onde uma pequenina menina japonesa me sorriu e me fez sorrir por dentro também...) e agora estou a fazer as malas para mais uma viagem, na verdade três viagens, todas de comboio, de regresso a Tóquio. Ainda não tenho a certeza que serão naquele comboio super rápido que eles têm cá... Amanhã logo vos conto a experiência.
Hoje de manhã foi anunciado em directo no Japão a vinda ao mundo daqui a uns mesitos de mais um sobrinho emprestado, o Henrique. Parabéns aos papás!!!! Um grande beijinho e abraço desde o Japão!
Até sexta!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Aomori - Part III

Terceiro dia. Longo, cansativo, produtivo... Vão todos ser assim, espero. É sinal que mesmo sem muita preparação, talvez consiga fazer uma missão de jeito. Ah pois... Vocês não sabem... Eu só soube que tinha de ser o responsável por esta missão 4 dias antes de vir... Tive ainda de arrastar um colega comigo que também não contava com isso. Mas nada que não se resolva com estupidez natural e bom senso.... e vá, com um bocadinho de profissionalismo.
Hoje devo ter batido o recorde de troca de sapatos... Pelas minhas contas teram sido 12 vezes, entre chinelos de plástico, chinelos de borracha, botas de borracha de côr diferente, chinelos tipo de quarto e os meus próprios sapatos, claro. E tentar calçar chinelos japoneses, para pés japoneses, é uma tarefa árdua... Até fiquei com os dedos dormentes a certa altura!!
Os nossos colegas japoneses muito simpáticos, devem achar que nós não podemos conviver com eles. Não almoçam nunca connosco, providenciando uma sala à parte para que nós possamos almoçar sozinhos... Também nunca ficam para jantar... Amanhã vou provocá-los, pelo menos ao almoço.
Aomori acordou mais solarenga hoje, com a neve a derreter calmamente por todo o lado... Sempre foi meio metro desta coisa branca fofa e fria que caiu... Ao jantar tentámos ir a um restaurante italiano, mas estava cheio e a espera era pelo menos de 30mn... Tempo demais para três europeus esfomeados que só tinham um almoço de "lunch box" no bucho... Decidimos tentar o barbecue coreano. Óptima escolha! Carne do melhor, cozinhada por nós, numa chapa aquecida no meio da mesa e uma cerveja japonesa Asahi a acompanhar... Delícia! Deu para descontrair... Até quando estamos a pedir acabamos por nos divertir porque falam connosco como se percebessemos japonês! É hilariante! Às tantas até começamos a traduzir o que nos estam a dizer...
Amanhã "rise and shine" cedo para sair às 07h40... No pain, no gain!
Adeusinho, ou melhor, Sayonnarasinho...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Aomori - Part II

Segundo dia de missão. Acordei numa cidade que não mudou de cenário desde a noite... Tudo "nevado". Foi quase madrugar, com o início das hostilidades pelas 07h30. Uma curta viagem pela costa da baía de Mutsu, com paisagens fantásticas. Mar encrespado, serras polvilhadas de branco, neve constante...
Passando ao lado do conteúdo das reuniões e visitas, começo a ficar com medo que acabem os meus cartões de visita... Trouxe um pacote de 500, mas não me parece que seja suficiente! Estamos numa média de 30 por dia e ainda faltam 10 dias de missão!!! Enfim, é uma experiência interessante, cheia de protocolo, respeito e honra. Ao jantar fomos experimentar a gastronomia local... Como escolhemos uma mesa, tivemos de tirar os sapatos e sentarmo-nos no chão, num "tatami", com uma mesa que mal dava para pôr as pernas por baixo. No nosso japonês macarrónico, pedimos duas tempuras e um sushi. Eu aventurei-me no sushi e estava delicioso!! Acho que experimentei pepino do mar, uma cena amarela com ar esponjoso mas que ao trincar parece mais pepino ou cenoura, um outro peixe bastante sólido, tipo tubarão e os normais atum, salmão e peixe branco tipo dourada. Bem bom!
Agora é repousar para enfrentar mais um dia frio e cheio de trabalho.
Konban wa... que é como quem diz, boa noite!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Aomori - Part I

Chegado a Aomori, a 800 e picos km a norte de Tóquio, estou cansadíssimo... Jet lag e um dia passado numa sala, reunido com mais 15 pessoas, com interpretação. Nada de novo. Apenas falta de hábito desde Outubro.
O dia em Tóquio estava como no fim-de-semana: sol, céu azul e fresco. Todos os japoneses que conhecemos hoje são muito simpáticos, educados e aparentam ser muito trabalhadores. Se fazem as coisas da maneira adequada é algo que no fim da semana que vem espero conseguir distinguir. Almoçámos num sítio bem engraçado,, onde a comida demorou 2mn a chegar à mesa, e tal como nos outros dias, a qualidade é sempre boa.
Passámos pela primeira cerimónia de troca de cartões de visita. Trata-se de um verdadeiro ritual, com as suas regras muito próprias. Recebe-se o cartão com as duas mãos, lê-se o nome para saber se estamos a pronunciá-lo correctamente e agradecemos. Depois é a nossa vez de entregar um cartão nosso, também com as duas mãos, fazendo uma vénia. Tenho pena dos japoneses que não têm cartões de visita para trocar. Devem ser olhados de lado pelos outros, como se não fizessem parte da sociedade.... Coitados. Mas não deixam de ser muito simpáticos.
Ao final do dia, já no aeroporto de Haneda, recebemos a informação de que o nosso vôo poderia ter de regressar devido à neve que estava a cair em Aomori. Felizmente isso não aconteceu. Apenas alguma turbulência e a primeira experiência de aterrar num aeroporto enquanto nevava. Deve ter caído imensa neve porque nas ruas de Aomori, cidade claramente mais pequena que a capital, a altura da camada de neve nas bermas é de cerca de meio metro. Amanhã vai ser engraçado... A temperatura ronda os 0ºC, nada que já não esteja habituado.
O hotel, onde ficarei 4 noites (que bom!), não é tão luxuoso como o de Tóquio, mas, tal como em todas as casas de banho que usei hoje, apresenta a famosa sanita com tampo aquecido, desodorizante, descarga automática de água, spray invertido, repuxos mirabolantes... Ah! E sempre da marca "TOTO"... Digam lá que não se riram para ver se eu acredito... Isto aliado ao facto de o chuveiro e a banheira fazerem parte da mesma divisão dentro da casa de banho, mas não estarem juntos. A explicação deve-se ao facto de os japoneses se lavarem antes de entrar na banheira, porque a água que enche a banheira pode supostamente ser utilizada por mais do que uma pessoa. Estranho? Talvez... Faz parte da cultura paranóica da higiene japonesa: muita gente de máscara, gel para as mãos por todo o lado, paninhos quentes antes e depois das refeições...
Amanhã começam as visitas, primeiro a laboratórios.
Sayonara!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Tóquio - Part II

De manhã, vista do quarto, Tóquio acorda assim... Céu azul, sol bem alto e brilhante e fresco lá fora... Custou dormir graças ao meu amigo jet lag... Tive direito a acordar às 03h50, às 05h30 e às 06h00 e depois foi um martírio ficar na cama até às 08h00. Depois do pequeno almoço, dediquei-me ao trabalho. Foi uma manhã bastante produtiva. Por volta das 14h00, fomos à procura de um sítio para almoçar... Andámos bastante pelas ruas, praticamente vazias, do bairro de Ginza, tivemos em frente ao impressionante mercado grossista de peixe de Tsukiji que dizem ser o maior do mundo... Não entrámos porque já tinha acabado por hoje.
Depois do almoço, fui dar um passeio perto do Palácio Imperial, que fica mesmo ao lado do hotel. Não cheguei a ir mesmo lá dentro, mas a impressão que fica do lado de fora é a de paz e sossego... Os jardins que rodeiam as muralhas e o fosso cheio de água, estão cheias de árvores minuciosamente cortadas em forma de bonsais crescidos... As ruas, por ser domingo, estavam mais vazias mas mesmo assim havia muita gente a passear e a fazer exercício. O silêncio que a cidade transmite é surpreendente... Até os motores dos carros fazem o favor de não roncar muito para não incomodar. Comprámos os bilhetes para o comboio "Superexpress". Curioso para experimentar... Ainda não me aventurei no sushi, mas parece-me que vou ter bastante tempo para isso.
Hoje já tive o privilégio de ver um herói da juventude local, que tem um "gadget" que lhe permite transformar-se em mota e desancar em toda a espécie de criaturas estranhas... Cuidem-se Power Rangers!! Amanhã começa a missão a sério. Vamos lá a isso! Bom resto de domingo para todos!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Up in the air... again... and BANZAI!

Meu Deus... Já lá vai tanto tempo desde a útlima vez que fiz um post... O do Natal e fim de ano foi só para saberem que ainda ando por aqui, apesar de não ter tido muita vontade de rabiscar no blog.
Passados tantos meses, e passada tanta coisa (dava para outro post...), eis-me de volta ao meu trabalho e às minhas viagens. Desde Outubro que não tinha uma missão. A primeira deste ano 2010 é ao Japão. E já estou em Tóquio!
A viagem começou em Dublin, pelas 09h00, e após uma breve passagem por Paris, meti-me num avião quase vazio e voei 11h30 até este lado do mundo. Passámos pelo golfo da Filândia e atravessámos a Rússia, pela Sibéria, até chegar a esta ilha pelo lado norte. Vista lá de cima, estamos nitidamente no inverno, com tudo o que é campo ou bosque a mostrar os tons amarelados e castanhos próprios da estação. Não deu para ver o monte Fuji, apesar do capitão ter indicado onde ele estava, mas o meu lugar era no meio, por isso pouca visibilidade...
O vôo correu bem, sem turbulência de nota, e deu para ver o Transformers 2, Surrogates e The Time Traveller's Wife. Para além do serviço a bordo sempre impecável da Air France, claro.
Já no aeroporto, encaminhou-me para as bagagens, mas primeiro tenho de passar pelo controlo de imigração. Toda a gente anda de máscara por aqui... e são mais baixos do que eu.
Antes da fila sequer começar (fila no sentido figurado porque não havia ninguém à minha frente...) duas senhoras muito simpáticas já me estavam a indicar o caminho a seguir, depois qual a cabine onde me devia dirigir. No posto de controlo, um senhor muito simpático recebeu o meu passaporte com as duas mãos, fez-me as perguntas da praxe e disse-me que tinha de tirar as minhas impressões digitais e uma foto. Para meu espanto, a maquineta onde eu tive que fazer isto, apresentava as instruções no écran, num português perfeito! Buscar a mala foram 10mn e depois passar pela alfândega: "Nada a declarar" e mais umas perguntinhas, todas feitas por trás da máscara.
Saio para o mundo real japonês. Os aeroportos são sempre uma espécie de limbo entre o estar ou não num país, não acham? Fui logo à procura da companhia de autocarros que me recomendaram para ir para o meu hotel, o Imperial Hotel. Tudo muito organizado, não havia muita confusão à saída, talvez por ser sábado... O céu azul e o sol ajudaram a compôr o quadro...
Como havia autocarros todos os 5mn, para hóteis diferentes, uma senhora muito simpática estava constantemente a organizar as filas enquanto outro senhor muito simpático tratava das bagagens dos clientes. Na fila está um casal de idosos ingleses, com casa em Ferragudo (sim, no Algarve!), que só estão de passagem por Tóquio durante 2 dias porque vão passar 4 semanas de férias na Nova Zelândia e jogar golfe. Brilliant!
No Japão conduzem como na Irlanda e são muito respeitadores dos limites de velocidade... Aliás, acho que são muito respeitadores de tudo! Entre eles fazem umas 50 vénias enquanto se cumprimentam ou se despedem... Na autoestrada, tudo num brinquinho, não há lixo e uns senhores muito simpáticos cortam os arbustos em escadinha... As marcas dos carros são bastante óbvias de adivinhar... Toyota, Nissan, Mitsubishi, Honda são aos pontapés!!! No caminho até ao hotel deu para ver uma paisagem mais rural, com muitos campos de arroz, passar depois para os subúrbios de Tóquio, onde pude ver que os japoneses gostam de secar a roupa como nós, ou seja, na varanda. A partir de um certo ponto, fomos sempre num viaduto, daqueles onde passam carros por baixo também, ao nível do terceiro andar dos prédios... Dá um pouco a sensação de claustrofobia... Mas organizada. De repente, viramos à esquerda, saímos do aqueduto e estamos numa avenida principal de Tóquio. Consegui ver um jardim público todo arranjado e muita limpeza e organização.
A entrada no hotel, que mais parece um centro comercial, foi feita com a ajuda de 3000 senhores muito simpáticos e na recepção foi um instante. O quarto é confortável, apanha sol durante a tarde e tem uma casa de banho, ou melhor uma sanita que só lhe falta falar... Ela é acento aquecido, desodorizante, spray invertido, bidé com repuxo e autoclismo num painel electrónico que parece um computador de bordo. Há cerca de 11 restaurantes (!?) dentro do hotel, que me parece ser mais do que só um hotel... O jet lag está bem e recomenda-se, apesar de já o ter tentado fintar com uma sesta. Não resultou. Não há canais de televisão estrangeiros e neste momento está a dar uma espécie de "24" à japonesa...
Mais daqui a pouco vou jantar mais os colegas que entretanto chegaram e depois tentar trabalhar um pouco. Aproveitem bem o vosso sábado!
Ainda não vi nenhum Power Ranger... Nem o Songoku.
Sayonara.
P.S.: Vim agora do jantar. Comemos numa típica tasca japonesa, toda feita de madeira, com a comida exposta para o cliente escolher... No regresso deparei-me com este restaurante:
"Adega Portuguesa Vilamoura"... E têm pastéis de bacalhau!Fenomenal!