Eis-me de volta. Já lá vão dois meses e meio, um regresso à Tanzania para um safari e uma estadia interessante em Zanzibar, duas semanas muito curtas em Portugal e já quatro semanas de trabalho foi o que se passou entretanto.
Estou de volta, portanto, mas também de partida. Vou passar mais duas semanas (este número persegue-me hoje...) num dos países que mais gosto: a França. Vou passar pelo sul, onde já estive há uns 8 anos e depois vou para a costa atlântica, acima de Bordéus, mais concretamente La Rochelle. Como sempre, estou curioso, nervoso e ansioso para que tudo comece. Vou ter mais três pessoas a trabalhar comigo: um colega alemão, uma colega espanhola e uma colega portuguesa que vem pela primeira vez a uma das nossas, agora chamadas, auditorias. Sim, agora passei a ser auditor e não inspector. O nome muda, o trabalho é o mesmo.
No caminho de casa até ao aeroporto, o taxista, que não foi o do costume, benzeu-se quando passámos pela igreja da aldeia dele... Um gesto interessante.
A minha mãe fez anos ontem e mais uma vez não pude estar com ela e dar-lhe os beijinhos e abraços que ela tanto merece... MUITOS PARABÉNS!!! ÉS A MAIOR!
Neste post porém quero relembrar duas coisas:
- aquilo que escrevi aqui, há um ano atràs, sobre uma data importante da minha vida e os sentimentos que ficaram... leiam aqui;
- dez anos após o atentado terrorista em Nova Iorque, queria tambám deixar aqui a minha homenagem aos que "desapareceram" nessa manhã e um desejo de que nunca, niguém jamais tenha de passar pelo mesmo. Nesse dia, estava em casa, em Lisboa, Campolide, a preparar o almoço, mais o Scott. Almocei em frente à televisão, olhos pregados, incrédulo e horrorizado. Lembro-me que a viagem que fiz para a Nazaré, sítio onde estava a trabalhar nessa altura, foi estranhíssima... Fui o caminho todo a pensar na vida.
domingo, 11 de setembro de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Mwanza - Parte III, IV e V; Dar-Es-Salaam - Parte IV e V, Tanzania
Já está!
Terminou e agora a descarga de adrenalina está a produzir o seu efeito e a deixar-me mais relaxado...
O resto do tempo em Mwanza foi passado a trabalhar, a fazer uma viagem de avião no cockpit (quase como co-piloto) até Bukoba e voltar,
e deseperadamente a tentar fazer perceber ao cozinheiro do hotel que Tilapia frita não é a mesma coisa que Tilapia grelhada... O meu último jantar no hotel foi esparguete à bolonhesa só para perceberem a minha resignação.
O regresso a Dar-Es-Salaam foi muito produtivo. Sentado nos últimos lugares do avião, tive tempo e espaço para preparar a reunião final, ouvir música e até dormitar... Em cheio! A estadia em Dar-Es-Salaam foi sempre a trabalhar, a escrever muito e hoje dissemos adeus aos nossos colegas tanzanenses.
Estou em directo de mais um aeroporto internacional, à espera da minha boleia que me vai levar primeiro a Amesterdão. Mal posso esperar para chegar a casa... E há futebolada amanhã à tarde!!!
Para a semana três colegas portugueses juntam-se a nós para dois dias e meio de formação... É pena ser tão pouco tempo, mas vai dar para matar saudades!!
Então até já... Na Holanda...
Terminou e agora a descarga de adrenalina está a produzir o seu efeito e a deixar-me mais relaxado...
O resto do tempo em Mwanza foi passado a trabalhar, a fazer uma viagem de avião no cockpit (quase como co-piloto) até Bukoba e voltar,

e deseperadamente a tentar fazer perceber ao cozinheiro do hotel que Tilapia frita não é a mesma coisa que Tilapia grelhada... O meu último jantar no hotel foi esparguete à bolonhesa só para perceberem a minha resignação.
O regresso a Dar-Es-Salaam foi muito produtivo. Sentado nos últimos lugares do avião, tive tempo e espaço para preparar a reunião final, ouvir música e até dormitar... Em cheio! A estadia em Dar-Es-Salaam foi sempre a trabalhar, a escrever muito e hoje dissemos adeus aos nossos colegas tanzanenses.
Estou em directo de mais um aeroporto internacional, à espera da minha boleia que me vai levar primeiro a Amesterdão. Mal posso esperar para chegar a casa... E há futebolada amanhã à tarde!!!
Para a semana três colegas portugueses juntam-se a nós para dois dias e meio de formação... É pena ser tão pouco tempo, mas vai dar para matar saudades!!
Então até já... Na Holanda...
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
Dar-Es-Salaam - Parte I, II e III; Ilha de Mafia - Parte I; Mwanza - Parte I e II, Tanzania
Sem tempo para nada, é como isto está...
Queria ter começado este post logo no hotel em Amsterdão para vos dar conta do início de mais uma aventura, novamente por terras africanas. Mas não deu, ou não tive paciência, ou... sei lá!
A verdade é que estou aqui e vou tentar resumir o que se passou até agora.
Dar-Es-Salaam - Parte I, II e III.

Tudo começou num vôo de 10h15 da KLM, que fez uma paragem no aeroporto de Kilimandjaro, sob um luar assombroso, ainda para mais quando avistado por cima das nuvens. Também deu para ver o Monte com o mesmo nome, o segundo mais alto do planeta, penso, a irromper pelo meio do manto branco, impondo a sua escura presença à luz da lua cheia. 30mn depois estávamos na capital da Tanzania, Dar-Es-Salaam, com cerca de 24ºC às 23h00... Fomos bem recebidos e logo conduzidos ao nosso hotel.
No dia seguinte demos início às "hostilidades" e fizemos reuniões e visitas. A cidade tem cerca de 3 milhões de habitantes e é sempre muito movimentada. Há imenso trânsito, desorganizadamente organizado. Como se conduz do lado esquerdo da estrada, à "irlandesa" como eu já estou habituado, há imensos carros importados do Japão, assim como carrinhas tipo Toyota Hiace, que são o meio de transporte público mais utilizado por aqui. E vocês ficariam espantados com o número de pessoas que cabe numa carrinha daquelas, acreditem...
Tivemos de atravessar uma baía de ferry, por ser mais rápido do que ir de carro, e foi um ver se te avias para ver quem entrava no raio do barco primeiro!! É muita gente mesmo... Com os seus cestos e cabazes na cabeça, os putos todos atràs, o senhor que vende côcos na bicicleta, o vendedor de jornais e de pastilhas, o vendedor de água e sumos... E não há cá prioridade ou corredores a separar carros e pessoas, é mesmo tudo ao molho!
As estradas não são más... Até saírmos das principais! A partir daí só terra batida, areia, buracos, lombas... Uma verdadeira massagem grátis para as costas!
No sábado ainda se trabalhou de manhã mas depois foi mais descanso/trabalho de computador no hotel, ao mesmo tempo que acompanhava o grande piquenique na Av. da Liberdade, graças à RTP Internacional!
Ilha de Mafia - Parte I.

Que experiência!!! Fomos de avião, num vôo bem curtinho de apenas 30mn. No avião, creio que era um Cessna, só cabiam 12 passageiros e umas poucas de umas malas e até nos podíamos sentar no lugar do co-piloto. A viagem foi impressionantemente bela!!! Tivemos direito a ver a cidade, depois a costa, o mar e os recifes e finalmente a costa da Ilha de Mafia e aterrar na sua pista de terra batida! Pelo caminho, cinco arco-íris decidiram dizer olá, assim como a chuva, que assusta quando bate nos vidros do avião... Ao entrar nas nuvens, a sensação de desorientação é enorme, porque só se vê branco! Mas chegámos bem ao aeroporto de Mafia (podem ver pela foto...).
Na Ilha de Mafia não há mafiosos... nem estradas alcatroadas, nem electricidade! Graças a Deus, ou melhor ao Parque Marinho da Ilha de Mafia, tínhamos uns resistentes Land Cruisers para nos transportarem pelos caminhos da Ilha... Confesso que foi bem giro! O Tio Nuno havia de gostar! Grandes pistas a alternar selva com savana e umas manadas de vacas raquíticas pelo meio!



O cair da noite é algo de mágico... O pôr do sol aqui tem uma cor hipnotizante quando se junta ao azul escuro do céu... É neste lusco-fusco que os morcegos da fruta decidem invadir os céus e emprestar uma atmosfera algo sinistra a este período do dia.
Ficámos alojados num sítio que não tinha televisão ou internet, mas com boa comida e pessoal diligente. No dia seguinte fizemos a viagem de avião de regresso à capital com um instrutor e um aluno. O instrutor tinha passado dez anos em Moçambique e falava português... Adivinhem o que me perguntou primeiro? "Tu és filho de quem?" E eu, meio aparvalhado, respondi... "De uma portuguesa...". Ele começou a rir-se!! Eu acho que ele queria que eu lhe dissesse o meu nome de família para ver se conhecia alguém...
Mwanza - Parte I e II.

No domingo mudámos para 2000km mais a norte, para Mwanza, a cidade mais importante da costa do Lago Victória que pertence à Tanzania . O Lago é o maior do mundo e quando visto do céu digo-vos que parece o mar... É imenso!!! O vôo foi uma estucha... Assentos pequenos, muito calor, enfim nada confortável. O que me safou foi o meu livro de exercícios de espanhol!!! Fiz uma data deles! Ainda tivemos de fazer uma escala em Musoma, pista de terra batida, onde os aviões são acompanhados em corrida do outro lado da cerca por crianças de sorrisos felizes.
No aeroporto de Mwanza, já com alcatrão, vários helicópteros das Nações Unidas estão estacionados à espera que alguém lhes dê utilidade. Este é um ponto estratégico para prestar ajuda aos campos de refugiados que existem junto das fronteiras com o Ruanda e o Burundi, mais a Este.
Estafados, trouxeram-nos ao hotel, cujos quartos têm uma vista sobre uma baía bem calminha do Lago. Tentámos comer um peixinho assado do Lago, a famosa Perca do Nilo, mas só havia Tilápia... Então que seja, mas grelhada! Veio frita... Mas estava boa.
A vida em Mwanza é tão mexida e apinhada como na capital, mas os recursos são menores e a pobreza mais evidente. Ao afastarmo-nos do centro, rapidamente a paisagem passa a savana, com montes de pedras redondos, aqui e ali, perigosamente empilhados por anos e anos de fenómenos geológicos naturais, e aldeias de casas de paredes de terra e de telhados de folhas de palmeira. Vacas e cabras passeiam enganadoramente livres, sempere debaixo do olhar atento dos míudos pastores que nos olham espantados e acenam sorrindo enquanto desaparecemos numa nuvem de poeira... O meio de transporte mais utlizida nestas zonas, se existir, é a bicicleta que muitas vezes também serve para dar boleia aos amigos e vizinhos.
Hoje, depois de mais um dia de visitas, tentámos novamente a nossa sorte com a Tilápia grelhada... Afinal não há grelhador, porque precisam de instalar um exaustor por causa do fumo... Tentámos explicar ao cozinheiro que queríamos o peixe o mais simples possível, sem molhos... Veio mais assado no forno, menos frito, e com molho de tomate... Pode ser que amanhã ele acerte!
E pronto, fico-me por aqui... Até já!
Queria ter começado este post logo no hotel em Amsterdão para vos dar conta do início de mais uma aventura, novamente por terras africanas. Mas não deu, ou não tive paciência, ou... sei lá!
A verdade é que estou aqui e vou tentar resumir o que se passou até agora.
Dar-Es-Salaam - Parte I, II e III.

Tudo começou num vôo de 10h15 da KLM, que fez uma paragem no aeroporto de Kilimandjaro, sob um luar assombroso, ainda para mais quando avistado por cima das nuvens. Também deu para ver o Monte com o mesmo nome, o segundo mais alto do planeta, penso, a irromper pelo meio do manto branco, impondo a sua escura presença à luz da lua cheia. 30mn depois estávamos na capital da Tanzania, Dar-Es-Salaam, com cerca de 24ºC às 23h00... Fomos bem recebidos e logo conduzidos ao nosso hotel.
No dia seguinte demos início às "hostilidades" e fizemos reuniões e visitas. A cidade tem cerca de 3 milhões de habitantes e é sempre muito movimentada. Há imenso trânsito, desorganizadamente organizado. Como se conduz do lado esquerdo da estrada, à "irlandesa" como eu já estou habituado, há imensos carros importados do Japão, assim como carrinhas tipo Toyota Hiace, que são o meio de transporte público mais utilizado por aqui. E vocês ficariam espantados com o número de pessoas que cabe numa carrinha daquelas, acreditem...
Tivemos de atravessar uma baía de ferry, por ser mais rápido do que ir de carro, e foi um ver se te avias para ver quem entrava no raio do barco primeiro!! É muita gente mesmo... Com os seus cestos e cabazes na cabeça, os putos todos atràs, o senhor que vende côcos na bicicleta, o vendedor de jornais e de pastilhas, o vendedor de água e sumos... E não há cá prioridade ou corredores a separar carros e pessoas, é mesmo tudo ao molho!
As estradas não são más... Até saírmos das principais! A partir daí só terra batida, areia, buracos, lombas... Uma verdadeira massagem grátis para as costas!
No sábado ainda se trabalhou de manhã mas depois foi mais descanso/trabalho de computador no hotel, ao mesmo tempo que acompanhava o grande piquenique na Av. da Liberdade, graças à RTP Internacional!
Ilha de Mafia - Parte I.

Que experiência!!! Fomos de avião, num vôo bem curtinho de apenas 30mn. No avião, creio que era um Cessna, só cabiam 12 passageiros e umas poucas de umas malas e até nos podíamos sentar no lugar do co-piloto. A viagem foi impressionantemente bela!!! Tivemos direito a ver a cidade, depois a costa, o mar e os recifes e finalmente a costa da Ilha de Mafia e aterrar na sua pista de terra batida! Pelo caminho, cinco arco-íris decidiram dizer olá, assim como a chuva, que assusta quando bate nos vidros do avião... Ao entrar nas nuvens, a sensação de desorientação é enorme, porque só se vê branco! Mas chegámos bem ao aeroporto de Mafia (podem ver pela foto...).
Na Ilha de Mafia não há mafiosos... nem estradas alcatroadas, nem electricidade! Graças a Deus, ou melhor ao Parque Marinho da Ilha de Mafia, tínhamos uns resistentes Land Cruisers para nos transportarem pelos caminhos da Ilha... Confesso que foi bem giro! O Tio Nuno havia de gostar! Grandes pistas a alternar selva com savana e umas manadas de vacas raquíticas pelo meio!



O cair da noite é algo de mágico... O pôr do sol aqui tem uma cor hipnotizante quando se junta ao azul escuro do céu... É neste lusco-fusco que os morcegos da fruta decidem invadir os céus e emprestar uma atmosfera algo sinistra a este período do dia.
Ficámos alojados num sítio que não tinha televisão ou internet, mas com boa comida e pessoal diligente. No dia seguinte fizemos a viagem de avião de regresso à capital com um instrutor e um aluno. O instrutor tinha passado dez anos em Moçambique e falava português... Adivinhem o que me perguntou primeiro? "Tu és filho de quem?" E eu, meio aparvalhado, respondi... "De uma portuguesa...". Ele começou a rir-se!! Eu acho que ele queria que eu lhe dissesse o meu nome de família para ver se conhecia alguém...
Mwanza - Parte I e II.

No domingo mudámos para 2000km mais a norte, para Mwanza, a cidade mais importante da costa do Lago Victória que pertence à Tanzania . O Lago é o maior do mundo e quando visto do céu digo-vos que parece o mar... É imenso!!! O vôo foi uma estucha... Assentos pequenos, muito calor, enfim nada confortável. O que me safou foi o meu livro de exercícios de espanhol!!! Fiz uma data deles! Ainda tivemos de fazer uma escala em Musoma, pista de terra batida, onde os aviões são acompanhados em corrida do outro lado da cerca por crianças de sorrisos felizes.
No aeroporto de Mwanza, já com alcatrão, vários helicópteros das Nações Unidas estão estacionados à espera que alguém lhes dê utilidade. Este é um ponto estratégico para prestar ajuda aos campos de refugiados que existem junto das fronteiras com o Ruanda e o Burundi, mais a Este.
Estafados, trouxeram-nos ao hotel, cujos quartos têm uma vista sobre uma baía bem calminha do Lago. Tentámos comer um peixinho assado do Lago, a famosa Perca do Nilo, mas só havia Tilápia... Então que seja, mas grelhada! Veio frita... Mas estava boa.
A vida em Mwanza é tão mexida e apinhada como na capital, mas os recursos são menores e a pobreza mais evidente. Ao afastarmo-nos do centro, rapidamente a paisagem passa a savana, com montes de pedras redondos, aqui e ali, perigosamente empilhados por anos e anos de fenómenos geológicos naturais, e aldeias de casas de paredes de terra e de telhados de folhas de palmeira. Vacas e cabras passeiam enganadoramente livres, sempere debaixo do olhar atento dos míudos pastores que nos olham espantados e acenam sorrindo enquanto desaparecemos numa nuvem de poeira... O meio de transporte mais utlizida nestas zonas, se existir, é a bicicleta que muitas vezes também serve para dar boleia aos amigos e vizinhos.
Hoje, depois de mais um dia de visitas, tentámos novamente a nossa sorte com a Tilápia grelhada... Afinal não há grelhador, porque precisam de instalar um exaustor por causa do fumo... Tentámos explicar ao cozinheiro que queríamos o peixe o mais simples possível, sem molhos... Veio mais assado no forno, menos frito, e com molho de tomate... Pode ser que amanhã ele acerte!
E pronto, fico-me por aqui... Até já!
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sexta-feira, 27 de maio de 2011
Murmansk (e Kirkenes, Noruega) - Parte II a V, Moscovo - Parte V e VI, Astrakhan - Parte I a III, Moscovo - Parte VII e VIII, Russia
Que longo título!
Tudo porque durante estas duas semanas foi muito difícl vir aqui contar-vos as minhas aventuras porque o cansaço foi mais forte e ao final do dia precisei sempre de uns minutos de paz e sossego e de às vezes trabalhar.
Enquanto estive em Mursmank, choveu, nevou, estiveram -10ºC à noite e dois dias depois estava sol e calor... Tive a sorte de ir de carro até Kirkenes, na Noruega, um porto de pesca muito importante para os russos. Pelo caminho passámos por uma zona altamente militarizada com os respectivos controlos de passaporte. E passar a fronteira foi "à antiga", quando os países europeus ainda tinham fronteiras: sair do carro, mostrar documentos, carimbos, olhares estranho para um passaporte português naquela parte desolada da terra... Enfim, uma aventura! A paisagem mais recorrente durante o caminho, que ainda durou uma horinhas, é feita de lagos gelados, neve espalhada ou a cobrir montes, vegetação rasteira e muito frio e vento. O contraste com algumas aldeias de blocos de apartamentos na Russia é gritante com as vivendas individuais e cheias de bom gosto dos Noruegueses. Almocei num navio-fábrica, um peixinho frito bem cozinhado e tudo! O resto do tempo em Murmansk foi passado a trabalhar e depois ponho aqui algumas fotos da cidade industrial e cinzenta.
O fim-de-semana do meio foi novamente em Moscovo, mas depois de uma chegada muito tardia ao hotel porque Moscovo não pode parar... Trabalhos na autoestrada reduziram o número de vias de 7 para 2, por isso tivemos de esperar quase 3 horas para poder pousar a cabeça nas almofadas fofinhas do Hotel Kempinski.
A última semana da missão foi mais a sul, em Astrakhan, cidade muito perto da fronteira com o Kazaquistão. No delta do rio Volga, esta cidade é um outro lado da Russia... Mais rural, mais empobrecida, muito calor (estiveram 27ºC na terça) e uma beleza natural inerente à fertilidade que os braços do rio emprestam à região. Vi muitos animais, inclusive vacas e ovelhas a passear no meio da estrada, que muitas vezes nem alcatrão tinham. Pudemos provar caviar de Perca, que tem uma cor amarelada e é um pouquinho salgado, mas bom. As visitas correram bem, o hotel não era mauzinho e na quarta-feira regressámos a Moscovo.
Depois de uma última visita, foi tempo de preparar a reunião final e tentar relaxar... Relaxei tanto que, por achar que ia tomar o pequeno almoço ao Starbucks do lado, podia comprar uma caneca para o meu irmão e a sua namorada... Pois... Hoje fui lá tomar o pequeno-almoço e... Boca! Nada de canecas de Moscovo porque estavam esgotadas!!!! Que pena... Tentarei compensar com algo que chegará pelo correio (mano fica atento e depois diz-me se gostas!).
Com a reunião final no bolso, levaram-nos a um sítio panorâmico para termos uma perspectiva diferente de Moscovo. Vi a Universidade de Moscovo (que alberga 30000 alunos e da qual se diz que se pode viver lá dentro durante 5 anos sem sair! Parece que eles têm tudo, tipo lojas, restaurantes, barbeiros e cabeleireiros...) e o estádio do Olímpico de Moscovo, o Luzniki, onde costuma jogar o Spartak de Moscovo. Tirei uma foto, mas isso fica para o outro fantástico blog, o FutLOL, onde costumo mandar uns bitaites.
Este post segue do lounge do aeroporto de Sherementyevo, mais um na lista dos muitos por onde passei, cheio de saudades de casa, de Portugal, da família e dos amigos e hoje especialmente do meu avô... Parabéns!
Tudo porque durante estas duas semanas foi muito difícl vir aqui contar-vos as minhas aventuras porque o cansaço foi mais forte e ao final do dia precisei sempre de uns minutos de paz e sossego e de às vezes trabalhar.
Enquanto estive em Mursmank, choveu, nevou, estiveram -10ºC à noite e dois dias depois estava sol e calor... Tive a sorte de ir de carro até Kirkenes, na Noruega, um porto de pesca muito importante para os russos. Pelo caminho passámos por uma zona altamente militarizada com os respectivos controlos de passaporte. E passar a fronteira foi "à antiga", quando os países europeus ainda tinham fronteiras: sair do carro, mostrar documentos, carimbos, olhares estranho para um passaporte português naquela parte desolada da terra... Enfim, uma aventura! A paisagem mais recorrente durante o caminho, que ainda durou uma horinhas, é feita de lagos gelados, neve espalhada ou a cobrir montes, vegetação rasteira e muito frio e vento. O contraste com algumas aldeias de blocos de apartamentos na Russia é gritante com as vivendas individuais e cheias de bom gosto dos Noruegueses. Almocei num navio-fábrica, um peixinho frito bem cozinhado e tudo! O resto do tempo em Murmansk foi passado a trabalhar e depois ponho aqui algumas fotos da cidade industrial e cinzenta.
O fim-de-semana do meio foi novamente em Moscovo, mas depois de uma chegada muito tardia ao hotel porque Moscovo não pode parar... Trabalhos na autoestrada reduziram o número de vias de 7 para 2, por isso tivemos de esperar quase 3 horas para poder pousar a cabeça nas almofadas fofinhas do Hotel Kempinski.
A última semana da missão foi mais a sul, em Astrakhan, cidade muito perto da fronteira com o Kazaquistão. No delta do rio Volga, esta cidade é um outro lado da Russia... Mais rural, mais empobrecida, muito calor (estiveram 27ºC na terça) e uma beleza natural inerente à fertilidade que os braços do rio emprestam à região. Vi muitos animais, inclusive vacas e ovelhas a passear no meio da estrada, que muitas vezes nem alcatrão tinham. Pudemos provar caviar de Perca, que tem uma cor amarelada e é um pouquinho salgado, mas bom. As visitas correram bem, o hotel não era mauzinho e na quarta-feira regressámos a Moscovo.
Depois de uma última visita, foi tempo de preparar a reunião final e tentar relaxar... Relaxei tanto que, por achar que ia tomar o pequeno almoço ao Starbucks do lado, podia comprar uma caneca para o meu irmão e a sua namorada... Pois... Hoje fui lá tomar o pequeno-almoço e... Boca! Nada de canecas de Moscovo porque estavam esgotadas!!!! Que pena... Tentarei compensar com algo que chegará pelo correio (mano fica atento e depois diz-me se gostas!).
Com a reunião final no bolso, levaram-nos a um sítio panorâmico para termos uma perspectiva diferente de Moscovo. Vi a Universidade de Moscovo (que alberga 30000 alunos e da qual se diz que se pode viver lá dentro durante 5 anos sem sair! Parece que eles têm tudo, tipo lojas, restaurantes, barbeiros e cabeleireiros...) e o estádio do Olímpico de Moscovo, o Luzniki, onde costuma jogar o Spartak de Moscovo. Tirei uma foto, mas isso fica para o outro fantástico blog, o FutLOL, onde costumo mandar uns bitaites.
Este post segue do lounge do aeroporto de Sherementyevo, mais um na lista dos muitos por onde passei, cheio de saudades de casa, de Portugal, da família e dos amigos e hoje especialmente do meu avô... Parabéns!
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domingo, 15 de maio de 2011
Murmansk, Russia - Parte I
Acordar às 5 da manhã num Domingo é só mesmo por necessidade... Há outros que ainda estão acordados e a sair dos muitos clubes nocturnos de Moscovo... Mas tínhamos de vir para Murmansk para prosseguir o nosso trabalho. Moscovo é tão grande que até às 6 da manhã de Domingo há trânsito e filas, bolas... No aeroporto corre tudo tão bem que deu para tomar o pequeno-almoço nas calmas, ler umas leis russas e um pouco do meu livro de cabeceira “Cosmofobia” da autora Lucía Etxebarría. Muito bom! Mas alguma coisa estava para acontecer... No autocarro, uma senhora de idade deu-me tanta pena... Estava completamente perdida... Era a primeira vez que ia viajar de avião, mas não sabia como lá ir ter, achava que tinha que comprar um bilhete de autocarro e tudo... Coitadinha! (Eu sei isto tudo porque o interprete estava ao meu lado e contou-me... Ainda não sei russo!). Mas no avião aconteceu o melhor: o Telmo estava ensonado e quando apareceu a hospedeira de bordo para levar o meu tabuleiro, prestavelmente entrego-lhe e depois faço a asneira de entornar o copo ainda cheio de água pelas minhas pernas e acento abaixo... O resto da viagem foi feito com aquela sensação de “fralda molhada”...
Aterrámos na única pista do reduzido aeroporto de Murmansk. Estou 250km acima do círculo polar ártico (o que significa que são neste momento 23h46 e está tanta luz lá fora como se fossem cinco da tarde...) e estão uns agradáveis... 15ºC!!! É verdade! Disseram-nos que foi o primeiro dia de calor e sol que tiveram durante as últimas semanas onde o frio e a neve reinaram. A cidade parece-me velha, sem manutenção, muito dos anos sessenta... Há imensos monumentos a Lenine, imensa indústria pesada e um porto militar e comercial estratégicamente importantes. A minha vista do quarto dá para a praça dos cinco cantos (vá-se lá saber porquê...) e ao longe, no cimo de uma colina, para uma estátua de 35m que presta homenagem ao soldado desconhecido.
Almocei um delicioso bife de rena com arroz selvagem, depois de um pequeno passeio ela principal rua da cidade, a Avenida Lenine pois claro! E agora já é quase meia-noite e tenho de ir descansar... Mas antes, uma foto para mostar-vos a luz que está lá fora!!!
Aterrámos na única pista do reduzido aeroporto de Murmansk. Estou 250km acima do círculo polar ártico (o que significa que são neste momento 23h46 e está tanta luz lá fora como se fossem cinco da tarde...) e estão uns agradáveis... 15ºC!!! É verdade! Disseram-nos que foi o primeiro dia de calor e sol que tiveram durante as últimas semanas onde o frio e a neve reinaram. A cidade parece-me velha, sem manutenção, muito dos anos sessenta... Há imensos monumentos a Lenine, imensa indústria pesada e um porto militar e comercial estratégicamente importantes. A minha vista do quarto dá para a praça dos cinco cantos (vá-se lá saber porquê...) e ao longe, no cimo de uma colina, para uma estátua de 35m que presta homenagem ao soldado desconhecido.
Almocei um delicioso bife de rena com arroz selvagem, depois de um pequeno passeio ela principal rua da cidade, a Avenida Lenine pois claro! E agora já é quase meia-noite e tenho de ir descansar... Mas antes, uma foto para mostar-vos a luz que está lá fora!!!
Moscovo, Russia - Parte I a IV
Parte I
Num avião cheinho de russos que foram certamente fazer compras a Paris, calhou-me o lugar 27A, numa janela bem lá atrás e ao lado de um puto russo que passou o tempo todo a mergulhar a cabeça já adolescente no colo da mãe para dormir. Foram três horas e 55 minutos bem compridos que tentei encurtar com a leitura de uma das minhas revistas favoritas de cinema, a "EMPIRE" (ainda não fui ver o “Thor”... e o “Captain America” nunca mais estreia!!).
A aterragem foi já ao cair da noite mas pela janela do avião ainda se conseguiu vislumbrar a imensidão plana desta parte do globo, onde florestas e planícies se confundem... Mais perto de Moscovo, torres altas de apartamentos contrastam em altura com os locais onde foram construídos. Aterramos numa moderna pista e correpsondente terminal. Grandes letras em círilico anunciam que estamos no aeroporto de Moscovo – Sheremetyevo.
Após uns exigentes controlos de passaporte, visto e cartão de migração (era uma funcionária novinha mas muito zelosa...), recolhemos as malase pusemo-nos a caminho do hotel. Atravessei avenidas, que mais parecem autoestradas, de 3 a 7 vias para cada sentido, a velocidades escandalosas e pelo meio do trânsito igualmente veloz e sempre a mudar de via para escapar a algum veículo mais lento... Sim, porque os há por aqui, alguns até a cair aos bocados! Rodeámos a famosa Praça Vermelha e o Kremlin, bem iluminados, e depois de atravessar uma ponte para o outro lado do rio Moscou apareceu o hotel numa esquina priveligiada, com vista para os monumentos mais famosos da cidade. Ficámos alojados no Hotel Baltschug Kempinski, que segundo o meu entendido irmão é um hotel de jeito. E ele tem toda a razão porque o meu quarto era ENORME!!! Com um pé direito de 5m, três janelas gigantes e uma distância da cama à televisão que nem o LCD de 56cm consegue esbater, dava perfeitamente para jogar squash! O senão disto é o preço do quarto (é tão proibitivo que não me atrevo a dizê-lo...) e de uma qualquer migalha que se coma (estamos a falar de um pequeno-almoço básico, não incluído, de cerca de 35€...). Salvou-me o Starbucks na esquina seguinte que felizmente abre às 07h30 com milhentos tipos de café, bolos, muffins, sandes e croissants a preços bem mais competitivos!
Parte II
Primeiro dia de trabalho “à séria”. As reuniões e visitas do costume com uma pausa para almoço que se fez num restaurante típico ucraniano que até menu em português tinha. Foi então que pude constatar como uma garrafa de vodka nesta terra desaparece num instante. Ele há brindes a tudo e mais alguma coisa e também a nada. Educadamente brindámos, mas sempre só com um copo... Estamos aqui para trabalhar! Só para lembrar aos mais cépticos... No final do dia tive o primeiro contacto com a magnitude da Praça Vermelha e da Igreja de S. Basílio (aquela que parece um bolo, com aquelas cúpulas todas coloridas). Passei em frente ao mausoléu do Lenine, de cuja varanda todos os líderes russos, ou melhor dizendo soviéticos, aceneraram às tropas em parada, tendo como pano de fundo a muralha do Kremlin. Curiosamente, no lado oposto, um centro comercial a fazer lembrar as galerias da Grand Place em Bruxelas, ostenta as lojas das marcas mais caras do mundo. Mas por fora (e por dentro também, vejam lá mais à frente...) fica bem bonito quando é iluminado por milhares de luzes que desenham o seu contorno.
Parte III
Mais um dia de trabalho, com direito a massagem grátis nas costas: 2h30 de carrinha pela autoestrada mais cheia de lombas e buracos que já vi na minha vida!!!! O motorista bem que tentou ser mais esperto que o asfalto danificado, mas o resultado foi uns 598 a 3... Ao sair, e depois ao regessar, de Moscovo pude constatar que a altura média de um bloco de apartamentos varia entre os 5 e os 17 andares, sendo que os segundos são bem mais frequentes. A ligar este megablocos habitacionais, fios de electricidade voam de prédio para prédio num emaranhado esquisito que se repete também ao nível dos postes de iluminação da rua. A juntar à esta festa ainda temos os fios que alimentam aqueles autocarros-eléctricos (como os de Coimbra – ainda existem, não existem? É que estando fora de Portugal há já tanto tempo, as coisas vão-me escapando... como o túnel da CRIL já estar aberta por exemplo!!!) que existem por aqui e os eléctricos (dos quais existem pelo menos três formatos diferentes). As diferenças sociais por aqui são evidentes até nos carros: há de tudo, é verdade, mas os extremos são os que mais se notam. Desde o modelo mais recente do Cadillac Escalade, até ao mais podre Lada ou Volga. Mas uma coisa todos têm em comum: seja de série ou com a ajuda de uns plásticos pretos colados no interior dos vidros, todos têm vidros escuros pelo menos atrás!!!
Moscovo tem muita, muita gente... É considerada a maior área metropolitana da Europa, a sétima maior cidade do mundo e tem tanta população como Portugal inteiro...
À noite, jantamos noutro restaurante típico ucraniano, também com menu em português. A comida ucraniana é boa e recomenda-se! Agora... Por onde anda a comida russa? AH!É verdade... provei os famosos biscoitos russos da cidade de Tula!
Parte IV
Um sábado logo no princípio de uma missão é algo raro... Com mais uma visita ao meu preferido Starbucks de Moscovo, aguentei estoicamente uma visita ao Kremlin num dia chuvoso e cinzento. Escolhemos bem o dia porque se estava a comerar os 1000 dias até aos jogos olímpicos de inverno que vão ter lugar na cidade de Sochi em 2014... Conclusão? Praça Vermelha vedada por causa de um concerto que ia acontecer mais tarde, acessos condicionados por causa de uma maratona associado aos festejos... Mas nós não desistimos! E no mais típico comportamento russo decidimos que tinhamos de visitar o Kremlin e que não passava daquele dia. Assim foi. Mas apanhámos tanto chuvinha, meu Deus... Primeiro visitámos a “catedral bolo” que tem nada mais nada menos que 10 igrejas lá dentro! E um coro, só de vozes masculinas, que cantava cada vez que se pagava. Depois, já no interior do Kremlin, há palácios do governo (um deles com um teatro) e do senado, um arsenal e cinco catedrais, as quais visitámos à borla (tinha de haver alguma coisa de positivo no meio disto tudo, não?). Entre ovos do joalheiro francês Fabergé, portas adornadas por esculptores italianos e frescos da época medieval a cobrir por inteiro as paredes interiores de algumas catedrais, fomos alegremente de embasbacanço em embascanço... Ao voltar, decidimos abrigar-nos nas galerias comerciais de que vos falei acima. Impecavelmente limpas, decoradas com um bom gosto invejável, até uma fonte interior apresentam, rodeada por árvores em flôr... Está quentinho e não apetece sair para a chuva... Hei-de voltar, nem que seja para um café.
No exterior, já a maratona tinha acabado, acumulavam-se camiões e camiões do exército ao lado da ponte, e na ponte, que dá acesso ao hotel. No interio, jovens soldados russos imberbes, dormitam de boca aberta para o vazio...
Já no quarto do hotel decido que um banho de espuma bem quentinho me vai pôr como novo... De roupão e chinelos, todo enxuto, assisto despreocupado ao Blackburn vs Manchester United num qualquer canal russo enquanto saboreio um wrap de salmão, ovo cozido e alface made in... pois claro... Starbucks! A rematar, dois chocolatinhos negros oferta do lounge da Air France do aeroporto CDG... Mnham!
Num avião cheinho de russos que foram certamente fazer compras a Paris, calhou-me o lugar 27A, numa janela bem lá atrás e ao lado de um puto russo que passou o tempo todo a mergulhar a cabeça já adolescente no colo da mãe para dormir. Foram três horas e 55 minutos bem compridos que tentei encurtar com a leitura de uma das minhas revistas favoritas de cinema, a "EMPIRE" (ainda não fui ver o “Thor”... e o “Captain America” nunca mais estreia!!).
A aterragem foi já ao cair da noite mas pela janela do avião ainda se conseguiu vislumbrar a imensidão plana desta parte do globo, onde florestas e planícies se confundem... Mais perto de Moscovo, torres altas de apartamentos contrastam em altura com os locais onde foram construídos. Aterramos numa moderna pista e correpsondente terminal. Grandes letras em círilico anunciam que estamos no aeroporto de Moscovo – Sheremetyevo.
Após uns exigentes controlos de passaporte, visto e cartão de migração (era uma funcionária novinha mas muito zelosa...), recolhemos as malase pusemo-nos a caminho do hotel. Atravessei avenidas, que mais parecem autoestradas, de 3 a 7 vias para cada sentido, a velocidades escandalosas e pelo meio do trânsito igualmente veloz e sempre a mudar de via para escapar a algum veículo mais lento... Sim, porque os há por aqui, alguns até a cair aos bocados! Rodeámos a famosa Praça Vermelha e o Kremlin, bem iluminados, e depois de atravessar uma ponte para o outro lado do rio Moscou apareceu o hotel numa esquina priveligiada, com vista para os monumentos mais famosos da cidade. Ficámos alojados no Hotel Baltschug Kempinski, que segundo o meu entendido irmão é um hotel de jeito. E ele tem toda a razão porque o meu quarto era ENORME!!! Com um pé direito de 5m, três janelas gigantes e uma distância da cama à televisão que nem o LCD de 56cm consegue esbater, dava perfeitamente para jogar squash! O senão disto é o preço do quarto (é tão proibitivo que não me atrevo a dizê-lo...) e de uma qualquer migalha que se coma (estamos a falar de um pequeno-almoço básico, não incluído, de cerca de 35€...). Salvou-me o Starbucks na esquina seguinte que felizmente abre às 07h30 com milhentos tipos de café, bolos, muffins, sandes e croissants a preços bem mais competitivos!
Parte II
Primeiro dia de trabalho “à séria”. As reuniões e visitas do costume com uma pausa para almoço que se fez num restaurante típico ucraniano que até menu em português tinha. Foi então que pude constatar como uma garrafa de vodka nesta terra desaparece num instante. Ele há brindes a tudo e mais alguma coisa e também a nada. Educadamente brindámos, mas sempre só com um copo... Estamos aqui para trabalhar! Só para lembrar aos mais cépticos... No final do dia tive o primeiro contacto com a magnitude da Praça Vermelha e da Igreja de S. Basílio (aquela que parece um bolo, com aquelas cúpulas todas coloridas). Passei em frente ao mausoléu do Lenine, de cuja varanda todos os líderes russos, ou melhor dizendo soviéticos, aceneraram às tropas em parada, tendo como pano de fundo a muralha do Kremlin. Curiosamente, no lado oposto, um centro comercial a fazer lembrar as galerias da Grand Place em Bruxelas, ostenta as lojas das marcas mais caras do mundo. Mas por fora (e por dentro também, vejam lá mais à frente...) fica bem bonito quando é iluminado por milhares de luzes que desenham o seu contorno.
Parte III
Mais um dia de trabalho, com direito a massagem grátis nas costas: 2h30 de carrinha pela autoestrada mais cheia de lombas e buracos que já vi na minha vida!!!! O motorista bem que tentou ser mais esperto que o asfalto danificado, mas o resultado foi uns 598 a 3... Ao sair, e depois ao regessar, de Moscovo pude constatar que a altura média de um bloco de apartamentos varia entre os 5 e os 17 andares, sendo que os segundos são bem mais frequentes. A ligar este megablocos habitacionais, fios de electricidade voam de prédio para prédio num emaranhado esquisito que se repete também ao nível dos postes de iluminação da rua. A juntar à esta festa ainda temos os fios que alimentam aqueles autocarros-eléctricos (como os de Coimbra – ainda existem, não existem? É que estando fora de Portugal há já tanto tempo, as coisas vão-me escapando... como o túnel da CRIL já estar aberta por exemplo!!!) que existem por aqui e os eléctricos (dos quais existem pelo menos três formatos diferentes). As diferenças sociais por aqui são evidentes até nos carros: há de tudo, é verdade, mas os extremos são os que mais se notam. Desde o modelo mais recente do Cadillac Escalade, até ao mais podre Lada ou Volga. Mas uma coisa todos têm em comum: seja de série ou com a ajuda de uns plásticos pretos colados no interior dos vidros, todos têm vidros escuros pelo menos atrás!!!
Moscovo tem muita, muita gente... É considerada a maior área metropolitana da Europa, a sétima maior cidade do mundo e tem tanta população como Portugal inteiro...
À noite, jantamos noutro restaurante típico ucraniano, também com menu em português. A comida ucraniana é boa e recomenda-se! Agora... Por onde anda a comida russa? AH!É verdade... provei os famosos biscoitos russos da cidade de Tula!
Parte IV
Um sábado logo no princípio de uma missão é algo raro... Com mais uma visita ao meu preferido Starbucks de Moscovo, aguentei estoicamente uma visita ao Kremlin num dia chuvoso e cinzento. Escolhemos bem o dia porque se estava a comerar os 1000 dias até aos jogos olímpicos de inverno que vão ter lugar na cidade de Sochi em 2014... Conclusão? Praça Vermelha vedada por causa de um concerto que ia acontecer mais tarde, acessos condicionados por causa de uma maratona associado aos festejos... Mas nós não desistimos! E no mais típico comportamento russo decidimos que tinhamos de visitar o Kremlin e que não passava daquele dia. Assim foi. Mas apanhámos tanto chuvinha, meu Deus... Primeiro visitámos a “catedral bolo” que tem nada mais nada menos que 10 igrejas lá dentro! E um coro, só de vozes masculinas, que cantava cada vez que se pagava. Depois, já no interior do Kremlin, há palácios do governo (um deles com um teatro) e do senado, um arsenal e cinco catedrais, as quais visitámos à borla (tinha de haver alguma coisa de positivo no meio disto tudo, não?). Entre ovos do joalheiro francês Fabergé, portas adornadas por esculptores italianos e frescos da época medieval a cobrir por inteiro as paredes interiores de algumas catedrais, fomos alegremente de embasbacanço em embascanço... Ao voltar, decidimos abrigar-nos nas galerias comerciais de que vos falei acima. Impecavelmente limpas, decoradas com um bom gosto invejável, até uma fonte interior apresentam, rodeada por árvores em flôr... Está quentinho e não apetece sair para a chuva... Hei-de voltar, nem que seja para um café.
No exterior, já a maratona tinha acabado, acumulavam-se camiões e camiões do exército ao lado da ponte, e na ponte, que dá acesso ao hotel. No interio, jovens soldados russos imberbes, dormitam de boca aberta para o vazio...
Já no quarto do hotel decido que um banho de espuma bem quentinho me vai pôr como novo... De roupão e chinelos, todo enxuto, assisto despreocupado ao Blackburn vs Manchester United num qualquer canal russo enquanto saboreio um wrap de salmão, ovo cozido e alface made in... pois claro... Starbucks! A rematar, dois chocolatinhos negros oferta do lounge da Air France do aeroporto CDG... Mnham!
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Benvindo de volta!
A mim mesmo, claro!
Depois de mais uma temporada de silêncio bloguista, sobretudo preguiçoso acreditem,aqui estou de volta.
Em directo e ao vivo do Aeroporto de Dublin, a caminho de Paris e com destino final Moscovo. A Federação Russa é a próxima missão... Uma longa missão diga-se já que vamos lá ficar até dia 27 de Maio. Somos quatro (por agora três, o quarto há de se juntar a nós em Paris) e mais quatro intérpretes.
O plano das visitas espera cobrir os quatro cantos da Russia e eu vou tentar dar-vos a minha visão dos sítios que for visitando, caso tenha acesso à internet.
abraços e beijinhos e... Benvindos de volta também!
Depois de mais uma temporada de silêncio bloguista, sobretudo preguiçoso acreditem,aqui estou de volta.
Em directo e ao vivo do Aeroporto de Dublin, a caminho de Paris e com destino final Moscovo. A Federação Russa é a próxima missão... Uma longa missão diga-se já que vamos lá ficar até dia 27 de Maio. Somos quatro (por agora três, o quarto há de se juntar a nós em Paris) e mais quatro intérpretes.
O plano das visitas espera cobrir os quatro cantos da Russia e eu vou tentar dar-vos a minha visão dos sítios que for visitando, caso tenha acesso à internet.
abraços e beijinhos e... Benvindos de volta também!
segunda-feira, 14 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
Ndanka, ndanka... In the Gambia
Ou seja “Fácil, fácil... na Gambia”. É a frase a ter sempre presente neste país que não chega sequer a dois milhões de habitantes. Rodeado por outro país, o Senegal, e divido ao meio por um rio, a Gambia vai da costa atlântica até ao interior do oeste da África, como se de um sorriso rasgado se tratasse. Espreitem num mapa e logo verão...
A chegada ao aeroporto de Banjul na terça-feira 8 de Março, a capital da Gambia, foi pacífica. À saída somos logo abordados por pessoas que nos cumprimentam, perguntam se a nossa viagem correu bem e nos dão as boas vindas ao país. Mas não fazem parte de nenhum comité de recepção... São taxistas, carregadores de malas, adolescentes que procuram uns trocos. É de louvar a diligência e agilidade que demonstram em falar inglês e outras línguas.
Ficámos alojados no Ocean Bay Hotel. Nada de grandes luxos, porque a crise não está para isso e porque viemos trabalhar, não para passar férias. A caminho do quarto, passamos entre a piscina e um palco onde um grupo cultural local toca ruidosamente jambés e tambores ao mesmo tempo que dançarinos se vão mexendo freneticamente no que penso ser uma dança tradicional (mudam todos os dias e têm nomes como Kulula Acrobats ou Gunjuja Local Cultural Group ou The Brothers Band...) As palmeiras vão balouçando ao sabor do vento e consigo sentir o cheiro do mar bem perto. Que bom! Para ajudar estão 27ºC... Parece verão.
Num país maioritariamente musulmano, as pausas para rezar são evidentes quase em todo o lado. Banjul fervilha de actividade, mas muito dela é feita a pé e manualmente. Há estradas alcatroadas, semáforos e até bombas da GALP. Mas também há muita confusão onde as regras de trânsito parecem não ter razão de exisitir, sobretudo nas ruas mais movimentadas. Todos os dias se vêem os alunos, fardados, a caminho da escola. Para encurtar a distância, muitos pedem boleia e lá conseguem seguir apinhados em pick-ups ou carrinhas Hyace ou Mercedes bem velhinhas. Aqui cultiva-se a arte da boleia... Pela estrada vêem-se indivíduos parados nas bermas, a cada 10 metros, de mão estendida, à espera que alguém pare para os levar... Os taxistas enchem os táxis o mais que podem e vão buzinando aos que esperam nas bermas como que a dizer “ainda há espaço aqui dentro para ti...”. Ir à casa de banho por aqui é uma aventura. Não há papel, mas há um recipiente com água para nos lavarmos e o autoclismo funciona a maior parte das vezes. A estrutura em sim é que deixa muito a desejar. Valha-nos o hotel! Menos na internet, que só se pode aceder desde o lobby e a maior parte das vezes é incerta...
Temos a sorte de ser transportados num Nissan Qasqai branco, novinho em folha, com dois grandes autocolantes de cada lado com a bandeira da União Europeia. Nem de propósito! Fiquei surpreendido com o carro... Espaçoso, traz ar condicionado de série (que aqui dá muito jeito!), rádio com CD e entrada para MP3 e Bluetooth. Para além disso, traz também limitador de velocidade e cruise control. A maior parte dos comandos também se encontra no volante. Acho que é a primeira vez que me sento num carro tão bom, pertencendo à autoridade competente do país que visito. Num gesto de boa vontade, e porque o nosso condutor é um homem extremamente procurado devido ao cargo que ocupa, decidi ensinar-lhe como funciona o Bluetooth. Foram 45 segundos para emparelhar o telemóvel com o carro... Quando o experimentou pela primeira vez, após ter acabado a chamada, começou a bater palmas e a rir-se!!! Comentou mesmo que “tinha de dançar a esta descoberta!”. Impagável!
Sendo um país pequeno, não temos saído muito de Banjul. Apenas ontem fomos a Tanji, uma comunidade piscatória onde se descarga pescado na praia. Canoas ou pirogas, que podem chegar a levar 40 pescadores, lançam-se ao mar diariamente. Muitos deles não sabem nadar... Pergunto-me como é que conseguem sobreviver em embarcações de aparência tão frágil à distância... A pseudo-lota fervilha de actividade. Pescadores, compradores (na sua maior parte mulheres), cestos de plástico a abarrotar de peixe, pedreiros (estão a construir um cais de descarga), míudosque parecem perdidos, curiosos... Um mar de gente, de ruído, de cheiros, onde não faltam as cores garridas dos trajes. Sou abordado por uma horda de pequenotes que me dizem “hello!” a sorrir, à qual respondo com um “hello” também... Um deles mais velho pergunta-me se não tenho material para os rapazes... Infelizmente não tenho... E lá vão à vida deles.
Adquiri uma série de recordações na loja adjacente ao hotel (tenho uma tão gira para a minha afilhada!!!), a rapariga que me atendeu, chamada Miljie, disse-me que se tivesse algum problema com qualquer dos artigos que comprei que fosse ter com ela e não com a senhora que costuma estar na loja da parte da manhã. A Miljie fica a tomar conta da casa de manhã, onde mora com os pais, as irmãs e uma tia. Cozinha o almoço para todos e depois vem trabalhar na loja das quatro às nove. Não foi à escola porque não tinham dinheiro... Mas está a poupar para tirar um curso de informática. Desejo-lhe sorte.
Pelo meio das nossas visitas, encontro um espanhol da Corunha. As nossas perguntas em inglês pareciam não lhe dizer grande coisa, mas o francês já era perceptível. Começamos a falar e às tantas apercebo-me de que tem um sotaque muito iberizado... Pergunto-lhe se é francês ao que me responde que não, que é espanhol. “Podemos hablar español...” digo eu. Que grande sorriso fez! Achou que eu também era e contou-me logo a vida dele... Mais um pouco e íamos tomar umas “cañas” algures na praia!
Para já é isto... Ah! Também já aproveitei o sol e calor que faz ao final da tarde na piscina para um mergulho e uma leitura mais descontraída.
Partimos na terça-feira à noite, para chegar de madrugada a Bruxelas. Se não vier aqui antes, um até já!
A chegada ao aeroporto de Banjul na terça-feira 8 de Março, a capital da Gambia, foi pacífica. À saída somos logo abordados por pessoas que nos cumprimentam, perguntam se a nossa viagem correu bem e nos dão as boas vindas ao país. Mas não fazem parte de nenhum comité de recepção... São taxistas, carregadores de malas, adolescentes que procuram uns trocos. É de louvar a diligência e agilidade que demonstram em falar inglês e outras línguas.
Ficámos alojados no Ocean Bay Hotel. Nada de grandes luxos, porque a crise não está para isso e porque viemos trabalhar, não para passar férias. A caminho do quarto, passamos entre a piscina e um palco onde um grupo cultural local toca ruidosamente jambés e tambores ao mesmo tempo que dançarinos se vão mexendo freneticamente no que penso ser uma dança tradicional (mudam todos os dias e têm nomes como Kulula Acrobats ou Gunjuja Local Cultural Group ou The Brothers Band...) As palmeiras vão balouçando ao sabor do vento e consigo sentir o cheiro do mar bem perto. Que bom! Para ajudar estão 27ºC... Parece verão.
Num país maioritariamente musulmano, as pausas para rezar são evidentes quase em todo o lado. Banjul fervilha de actividade, mas muito dela é feita a pé e manualmente. Há estradas alcatroadas, semáforos e até bombas da GALP. Mas também há muita confusão onde as regras de trânsito parecem não ter razão de exisitir, sobretudo nas ruas mais movimentadas. Todos os dias se vêem os alunos, fardados, a caminho da escola. Para encurtar a distância, muitos pedem boleia e lá conseguem seguir apinhados em pick-ups ou carrinhas Hyace ou Mercedes bem velhinhas. Aqui cultiva-se a arte da boleia... Pela estrada vêem-se indivíduos parados nas bermas, a cada 10 metros, de mão estendida, à espera que alguém pare para os levar... Os taxistas enchem os táxis o mais que podem e vão buzinando aos que esperam nas bermas como que a dizer “ainda há espaço aqui dentro para ti...”. Ir à casa de banho por aqui é uma aventura. Não há papel, mas há um recipiente com água para nos lavarmos e o autoclismo funciona a maior parte das vezes. A estrutura em sim é que deixa muito a desejar. Valha-nos o hotel! Menos na internet, que só se pode aceder desde o lobby e a maior parte das vezes é incerta...
Temos a sorte de ser transportados num Nissan Qasqai branco, novinho em folha, com dois grandes autocolantes de cada lado com a bandeira da União Europeia. Nem de propósito! Fiquei surpreendido com o carro... Espaçoso, traz ar condicionado de série (que aqui dá muito jeito!), rádio com CD e entrada para MP3 e Bluetooth. Para além disso, traz também limitador de velocidade e cruise control. A maior parte dos comandos também se encontra no volante. Acho que é a primeira vez que me sento num carro tão bom, pertencendo à autoridade competente do país que visito. Num gesto de boa vontade, e porque o nosso condutor é um homem extremamente procurado devido ao cargo que ocupa, decidi ensinar-lhe como funciona o Bluetooth. Foram 45 segundos para emparelhar o telemóvel com o carro... Quando o experimentou pela primeira vez, após ter acabado a chamada, começou a bater palmas e a rir-se!!! Comentou mesmo que “tinha de dançar a esta descoberta!”. Impagável!
Sendo um país pequeno, não temos saído muito de Banjul. Apenas ontem fomos a Tanji, uma comunidade piscatória onde se descarga pescado na praia. Canoas ou pirogas, que podem chegar a levar 40 pescadores, lançam-se ao mar diariamente. Muitos deles não sabem nadar... Pergunto-me como é que conseguem sobreviver em embarcações de aparência tão frágil à distância... A pseudo-lota fervilha de actividade. Pescadores, compradores (na sua maior parte mulheres), cestos de plástico a abarrotar de peixe, pedreiros (estão a construir um cais de descarga), míudosque parecem perdidos, curiosos... Um mar de gente, de ruído, de cheiros, onde não faltam as cores garridas dos trajes. Sou abordado por uma horda de pequenotes que me dizem “hello!” a sorrir, à qual respondo com um “hello” também... Um deles mais velho pergunta-me se não tenho material para os rapazes... Infelizmente não tenho... E lá vão à vida deles.
Adquiri uma série de recordações na loja adjacente ao hotel (tenho uma tão gira para a minha afilhada!!!), a rapariga que me atendeu, chamada Miljie, disse-me que se tivesse algum problema com qualquer dos artigos que comprei que fosse ter com ela e não com a senhora que costuma estar na loja da parte da manhã. A Miljie fica a tomar conta da casa de manhã, onde mora com os pais, as irmãs e uma tia. Cozinha o almoço para todos e depois vem trabalhar na loja das quatro às nove. Não foi à escola porque não tinham dinheiro... Mas está a poupar para tirar um curso de informática. Desejo-lhe sorte.
Pelo meio das nossas visitas, encontro um espanhol da Corunha. As nossas perguntas em inglês pareciam não lhe dizer grande coisa, mas o francês já era perceptível. Começamos a falar e às tantas apercebo-me de que tem um sotaque muito iberizado... Pergunto-lhe se é francês ao que me responde que não, que é espanhol. “Podemos hablar español...” digo eu. Que grande sorriso fez! Achou que eu também era e contou-me logo a vida dele... Mais um pouco e íamos tomar umas “cañas” algures na praia!
Para já é isto... Ah! Também já aproveitei o sol e calor que faz ao final da tarde na piscina para um mergulho e uma leitura mais descontraída.
Partimos na terça-feira à noite, para chegar de madrugada a Bruxelas. Se não vier aqui antes, um até já!
terça-feira, 8 de março de 2011
Aeroporto de Bruxelas, Bélgica
Estreia absoluta!
É a primeira vez que estou a escrever desde este aeroporto que me traz tantas saudades... Infelizmente estou só em trânsito e não dá para ir visitar os amigos... Vai ter de ficar para uma próxima oportunidade que espero não demorar muito a acontecer.
Esta grande ausência neste blog (sim neste, porque vou sempre lançando uns bitaites noutro que vocês já conhecem de certeza e que visitam todos os dias, o www.futlol.blogspot.com) deve-se a muitos factores, mas todos positivos acreditem. Desde a minha última missão o ano passado que estive de "castigo" na "quinta" e só agora vou começar a minha primeira missão do ano. Acabei 2010 em África e começo com... tchan,tchan,tchan... África! Vamos uma semana para a Gambia, país conhecido por estar rodeado por outro, o Senegal. Vou com uma colega, a "chefe" da missão, que já lá esteve o ano passado e sobreviveu, por isso estou descansado. Espero ter acesso à internet para poder partilhar convosco, novamente, o meu dia-a-dia e talvez quem sabe o que se tem passado nestes últimos meses na minha vida. A ver vamos...
Agora vou aproveitar o sol que invade o lounge da Brussels Airlines!
Inté já!
É a primeira vez que estou a escrever desde este aeroporto que me traz tantas saudades... Infelizmente estou só em trânsito e não dá para ir visitar os amigos... Vai ter de ficar para uma próxima oportunidade que espero não demorar muito a acontecer.
Esta grande ausência neste blog (sim neste, porque vou sempre lançando uns bitaites noutro que vocês já conhecem de certeza e que visitam todos os dias, o www.futlol.blogspot.com) deve-se a muitos factores, mas todos positivos acreditem. Desde a minha última missão o ano passado que estive de "castigo" na "quinta" e só agora vou começar a minha primeira missão do ano. Acabei 2010 em África e começo com... tchan,tchan,tchan... África! Vamos uma semana para a Gambia, país conhecido por estar rodeado por outro, o Senegal. Vou com uma colega, a "chefe" da missão, que já lá esteve o ano passado e sobreviveu, por isso estou descansado. Espero ter acesso à internet para poder partilhar convosco, novamente, o meu dia-a-dia e talvez quem sabe o que se tem passado nestes últimos meses na minha vida. A ver vamos...
Agora vou aproveitar o sol que invade o lounge da Brussels Airlines!
Inté já!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Argel, Argélia - última parte
De segunda até agora não se passou nada de especial, tirando os 5-0 do Barcelona ao Real Madrid, o wikileaks andar a chatear meio mundo e a agradar ao outro meio e a neve não parar de cair na Irlanda!!!!
Segunda e terça foram mais visitas, com direito a conhecer os subúrbios de Argel. Num destes bairros, depois do almoço e ao regressar ao carro, vínhamos por um passeio, quer dizer, algo que se parecia com um passeio, cheio de desníveis e pedras e grelhas para escoar a água, quando eu decidi andar e olhar para uma loja ao mesmo tempo... Já estão a ver, não é? Bati primeiro com a canela esquerda em algo muito duro, depois com a canela direita e repeti os mesmos dois movimentos até olhar para baixo e perceber que estava a tropeçar num vaso gigante de cimento!!! Sim, eu disse gigante e eu não o vi!!! Quase que caí, mas lá me aguentei e as canelas ainda me doem comó caraças!!!!
Hoje foi só escrever. Aliás acho que tenho a reunião final de amanhã e o relatório feito, só falta mesmo juntar as conclusões finais e pôr umas recomendaçõezitas e já está! Sim, porque se conseguir regressar a casa amanhã (o que não é garantido porque o aeroporto de Dublin está num intermitente fecha-abre-fecha por causa da neve...) tenho pouco tempo, até ir de férias de Natal para Portugal, para aproveitar a estadia... E vai haver tanto para fazer!!! Ele é festa de natal das crianças do escritório (acho que vou repetir a graça do ano passado e fazer de Pai Natal!), festa de Natal do escritório, aulas de espanhol, curso de inglês escrito, o yoga, o futebol, as prendas para o Natal... Acho que não vai dar para tudo! Mas pelo menos vai ser divertido! Por isso, quanto mais fizer agora melhor!
Mandei a versão final ao "grande" para ver o que sai daquela cabeça... Estou para ver!
Abraços e beijinhos.
Segunda e terça foram mais visitas, com direito a conhecer os subúrbios de Argel. Num destes bairros, depois do almoço e ao regressar ao carro, vínhamos por um passeio, quer dizer, algo que se parecia com um passeio, cheio de desníveis e pedras e grelhas para escoar a água, quando eu decidi andar e olhar para uma loja ao mesmo tempo... Já estão a ver, não é? Bati primeiro com a canela esquerda em algo muito duro, depois com a canela direita e repeti os mesmos dois movimentos até olhar para baixo e perceber que estava a tropeçar num vaso gigante de cimento!!! Sim, eu disse gigante e eu não o vi!!! Quase que caí, mas lá me aguentei e as canelas ainda me doem comó caraças!!!!
Hoje foi só escrever. Aliás acho que tenho a reunião final de amanhã e o relatório feito, só falta mesmo juntar as conclusões finais e pôr umas recomendaçõezitas e já está! Sim, porque se conseguir regressar a casa amanhã (o que não é garantido porque o aeroporto de Dublin está num intermitente fecha-abre-fecha por causa da neve...) tenho pouco tempo, até ir de férias de Natal para Portugal, para aproveitar a estadia... E vai haver tanto para fazer!!! Ele é festa de natal das crianças do escritório (acho que vou repetir a graça do ano passado e fazer de Pai Natal!), festa de Natal do escritório, aulas de espanhol, curso de inglês escrito, o yoga, o futebol, as prendas para o Natal... Acho que não vai dar para tudo! Mas pelo menos vai ser divertido! Por isso, quanto mais fizer agora melhor!
Mandei a versão final ao "grande" para ver o que sai daquela cabeça... Estou para ver!
Abraços e beijinhos.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Argel, Argélia
Terça-feira, 23 de Novembro a Domingo, 28 de Novembro
Tantos dias e nada para contar? Não... Nem pensar nisso! Entre o “não houve tempo” e “nem sempre tive internet” as desculpas oscilam... Mas vamos lá ao que interessa.
O trabalho está a correr bem e todos estão a cooperar. Até o “grande” (lembram-se daquele que esteve comigo no Ghana?) se tem portado bem. O ambiente tem vindo a ser mais descontraído o que ajuda sempre.
Durante estes dias estive no este e no oeste da Argélia. Passei por experiências engraçadas e vi outras curiosidades que vou tentar relatar aqui, sem demorar muito tempo...
Na terça ficámos em Annaba, com direito a escolta policial (4 polícias dentro de um Polo, a fazer barulho com a sirene...) porque tínhamos de ser protegidos. Não sei de quê, nem de quem... E até só faz com que todos olhem para nós. Enfim... Passámos por algumas zonas junto à praia, onde os pescadores desportivos se sentavam debaixo de enormes chapéus de sol para se protegerem... da chuva e do vento. Ao final do dia a escolta já se tinha ido embora. Aproveitámos para jantar no restaurante panorâmico do hotel modelo socialista-comunista dos anos 60.
Na quarta viajámos quase até à Tunisia. Tínhamos uma vista programada no Lago Mellah, uma zona natural protegida de interesse mundial na “wilaya” de El Tarf. E com razão, porque é fantástica! Até lá chegar, passámos por uma vila onde um mercado de rua estava a terminar. Fez-me lembrar as nossas feiras municipais, onde os vendedores são na maioria ciganos. Havia de tudo, apesar da lama e da chuva... Desde legumes até panelas e alguidares, passando pelos sapatos. Tudo isto sem escolta nenhuma porque o perigo parece só morar no centro da cidade... Para chegar perto do lago fizemos um pouco de todo o terreno o que me fez pensar seriamente em tirar um curso de 4x4 no futuro. Já no dito lago, aconteceu-me algo pela primeira vez. Enquanto fazia perguntas ao proprietário do estabelecimento, este começa-se a sentir mal e sai da sala para se ir deitar. Talvez quebra de tensão, pensei eu... Fomos dar uma volta pelo lago e quando voltámos o senhor tinha ido para o hospital com uma suspeita de ataque cardíaco. Fiquei preocupado... (O senhor já voltou a casa entretanto e está bem...). Disseram-me que já tinha acontecido recentemente, mas isso não serviu para me descansar. Não nos fomos embora sem provar as douradas e savelhas do lago grelhadas de propósito, de pé, e à mão!!! Estavam deliciosos. O dia acabou com uma viagem já pelo escuro até ao hotel retro.
Quinta voltámos a ficar em Annaba, com os nossos amigos polícias e o seu Polo. Almoçámos num restaurante junto ao mar, com um menu dedicado ao mar. Aqui come-se peixe fresco muito bom, mesmo. Ao final do dia, mais um martírio: um vôo para Argel. Bem, para falar verdade, o vôo não foi mau, mas toda a logística dos aeroportos argelinos é insuportável. Começa logo pelo controlo à entrada do aeroporto, pelo check-in que é o mais normal de tudo até, depois pelo preencher sempre um papelinho com os dados pessoais e para onde vamos, a seguir o controlo pela polícia desse mesmo papelinho, mais um controlo para entrar na sala de espera... A seguir o óbvio acontece quando o país só dispõe de uma companhia área autorisada a viajar internamente: atrasos de pelo menos 1 hora nos vôos do final da tarde... Perdem-se horas de vida em aeroportos que não têm nada!!! Nem uma lojeca para comprar uns postais para mandar... Segue-se um percurso de autocarro à pinha, uma saída a conta gotas para reconhecer as malas antes de entrar no avião (sim, as mesmas malas que deixámos no check-in estão à nossa espera ao lado do avião...), depois um controlo da bagagem de mão e uma revista pessoal e a seguir avião, mas sem lugares marcados porque pelo caminho ficam-nos com os cartões de embarque (se eu quisesse reclamar ia ser bonito...). Todos os vôos até agora tiveram atrasos...
Sexta ficámos em Argel e despedimo-nos da nossa colega espanhola que nos ajudou para a parte dos bivalves. Foi trabalhar de manhã e penar novamente no aeroporto à tarde. Como vingança comi um hamburguer num “Quick” que existe no terminal, lembrando-me Bruxelas. Chegámos a Oran, a oeste, no melhor hotel da missão e pude provar um bom couscous ao jantar.
Sábado foi talvez o dia mais caricato... Começámos com um Polo e três polícias lá dentro, numa chinfrineira de luzes e som... Depois da primeira visita já eram três motas da “Gendarmerie”, tipo a nossa Guarda Republicana, e o Polo... Foi um ver se te avias de trânsito cortado e alta velocidade... A seguir ao almoço, as motas tinham desaparecido, mas agora tínhamos duas carrinhas VW Transporter com três polícias cada e ainda o Polo... Hilariante! Até porque fomos para um sítio meio descampado, onde não havia grande concentração de pessoas. Uma palhaçada... O jantar compensou tudo: comemos “mechoui” que não é mais do que um cordeiro assado no forno, lentamente para manter a humidade, parecido com o nosso leitão. Mais uma vez comemos de pé e com as mãos!! E foi uma experiência fantástica porque nunca tinha comido nada assim... Simplesmente divinal! E o facto de arrancar a carne com os própios dedos dá uma sensação de primitismo peculiar.
Finalmente hoje, logo pela manhã, tive de ir acordar o nosso colega argelino que nos acompanha porque se deitou às 3 da manhã e não havia nada que o acordasse... Tive de entrar no quarto dele e abaná-lo!!! Perdemos a escolta “à grande e à francesa” e só os nossos amigos do Polo nos acompanharam, mas nem por isso fizeram menos barulho. Despedimo-nos de Oran, onde fomos muito bem recebidos e apanhámos mais um vôo de regresso a Argel, com o já famoso atraso... Ficamos mais quatro dias em Argel para terminar a missão. E na Irlanda já neva e faz -10ºC... Tempo de Natal!
Tantos dias e nada para contar? Não... Nem pensar nisso! Entre o “não houve tempo” e “nem sempre tive internet” as desculpas oscilam... Mas vamos lá ao que interessa.
O trabalho está a correr bem e todos estão a cooperar. Até o “grande” (lembram-se daquele que esteve comigo no Ghana?) se tem portado bem. O ambiente tem vindo a ser mais descontraído o que ajuda sempre.
Durante estes dias estive no este e no oeste da Argélia. Passei por experiências engraçadas e vi outras curiosidades que vou tentar relatar aqui, sem demorar muito tempo...
Na terça ficámos em Annaba, com direito a escolta policial (4 polícias dentro de um Polo, a fazer barulho com a sirene...) porque tínhamos de ser protegidos. Não sei de quê, nem de quem... E até só faz com que todos olhem para nós. Enfim... Passámos por algumas zonas junto à praia, onde os pescadores desportivos se sentavam debaixo de enormes chapéus de sol para se protegerem... da chuva e do vento. Ao final do dia a escolta já se tinha ido embora. Aproveitámos para jantar no restaurante panorâmico do hotel modelo socialista-comunista dos anos 60.
Na quarta viajámos quase até à Tunisia. Tínhamos uma vista programada no Lago Mellah, uma zona natural protegida de interesse mundial na “wilaya” de El Tarf. E com razão, porque é fantástica! Até lá chegar, passámos por uma vila onde um mercado de rua estava a terminar. Fez-me lembrar as nossas feiras municipais, onde os vendedores são na maioria ciganos. Havia de tudo, apesar da lama e da chuva... Desde legumes até panelas e alguidares, passando pelos sapatos. Tudo isto sem escolta nenhuma porque o perigo parece só morar no centro da cidade... Para chegar perto do lago fizemos um pouco de todo o terreno o que me fez pensar seriamente em tirar um curso de 4x4 no futuro. Já no dito lago, aconteceu-me algo pela primeira vez. Enquanto fazia perguntas ao proprietário do estabelecimento, este começa-se a sentir mal e sai da sala para se ir deitar. Talvez quebra de tensão, pensei eu... Fomos dar uma volta pelo lago e quando voltámos o senhor tinha ido para o hospital com uma suspeita de ataque cardíaco. Fiquei preocupado... (O senhor já voltou a casa entretanto e está bem...). Disseram-me que já tinha acontecido recentemente, mas isso não serviu para me descansar. Não nos fomos embora sem provar as douradas e savelhas do lago grelhadas de propósito, de pé, e à mão!!! Estavam deliciosos. O dia acabou com uma viagem já pelo escuro até ao hotel retro.
Quinta voltámos a ficar em Annaba, com os nossos amigos polícias e o seu Polo. Almoçámos num restaurante junto ao mar, com um menu dedicado ao mar. Aqui come-se peixe fresco muito bom, mesmo. Ao final do dia, mais um martírio: um vôo para Argel. Bem, para falar verdade, o vôo não foi mau, mas toda a logística dos aeroportos argelinos é insuportável. Começa logo pelo controlo à entrada do aeroporto, pelo check-in que é o mais normal de tudo até, depois pelo preencher sempre um papelinho com os dados pessoais e para onde vamos, a seguir o controlo pela polícia desse mesmo papelinho, mais um controlo para entrar na sala de espera... A seguir o óbvio acontece quando o país só dispõe de uma companhia área autorisada a viajar internamente: atrasos de pelo menos 1 hora nos vôos do final da tarde... Perdem-se horas de vida em aeroportos que não têm nada!!! Nem uma lojeca para comprar uns postais para mandar... Segue-se um percurso de autocarro à pinha, uma saída a conta gotas para reconhecer as malas antes de entrar no avião (sim, as mesmas malas que deixámos no check-in estão à nossa espera ao lado do avião...), depois um controlo da bagagem de mão e uma revista pessoal e a seguir avião, mas sem lugares marcados porque pelo caminho ficam-nos com os cartões de embarque (se eu quisesse reclamar ia ser bonito...). Todos os vôos até agora tiveram atrasos...
Sexta ficámos em Argel e despedimo-nos da nossa colega espanhola que nos ajudou para a parte dos bivalves. Foi trabalhar de manhã e penar novamente no aeroporto à tarde. Como vingança comi um hamburguer num “Quick” que existe no terminal, lembrando-me Bruxelas. Chegámos a Oran, a oeste, no melhor hotel da missão e pude provar um bom couscous ao jantar.
Sábado foi talvez o dia mais caricato... Começámos com um Polo e três polícias lá dentro, numa chinfrineira de luzes e som... Depois da primeira visita já eram três motas da “Gendarmerie”, tipo a nossa Guarda Republicana, e o Polo... Foi um ver se te avias de trânsito cortado e alta velocidade... A seguir ao almoço, as motas tinham desaparecido, mas agora tínhamos duas carrinhas VW Transporter com três polícias cada e ainda o Polo... Hilariante! Até porque fomos para um sítio meio descampado, onde não havia grande concentração de pessoas. Uma palhaçada... O jantar compensou tudo: comemos “mechoui” que não é mais do que um cordeiro assado no forno, lentamente para manter a humidade, parecido com o nosso leitão. Mais uma vez comemos de pé e com as mãos!! E foi uma experiência fantástica porque nunca tinha comido nada assim... Simplesmente divinal! E o facto de arrancar a carne com os própios dedos dá uma sensação de primitismo peculiar.
Finalmente hoje, logo pela manhã, tive de ir acordar o nosso colega argelino que nos acompanha porque se deitou às 3 da manhã e não havia nada que o acordasse... Tive de entrar no quarto dele e abaná-lo!!! Perdemos a escolta “à grande e à francesa” e só os nossos amigos do Polo nos acompanharam, mas nem por isso fizeram menos barulho. Despedimo-nos de Oran, onde fomos muito bem recebidos e apanhámos mais um vôo de regresso a Argel, com o já famoso atraso... Ficamos mais quatro dias em Argel para terminar a missão. E na Irlanda já neva e faz -10ºC... Tempo de Natal!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Annaba, Argélia
Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010
Chegada a Argel, já de noite no Domingo. Encontrámo-nos todos num aeroporto moderno e com boas condições. O nosso contacto já nos esperava e assim que recolhemos as malas, fomos conduzidos ao hotel. Passámos por auto-estradas com controlos policiais que reduzem as faixas de três para uma , dificultando o trânsito, já de si complicado. Conduz-se depressa, sem respeitar os traços nas vias ou os piscas. Vamos num jipe e o condutor acha-se todo poderoso porque enfia o veículo na direcção programada sem pedir licença. Deixamos as estradas maiores e entramos em ruinhas e ruelas ziguezagueantes, ora a subir, ora a descer... Passamos por ruas apinhadas de carros estacionados dos dois lados, num labirinto que parece não ter fim. Finalmente, depois de uma subida mais desafogada, chegamos ao destino, o Hotel El Biar. Nada de especial, muito pelo contrário. Decoração minimalista sem gosto nenhum, corredores de quartos que fazem lembrar os prédios dos anos 50 em Lisboa... Há internet à borla, o que é sempre bom, e um restaurante com comida barata e boa e que soube mesmo bem para um final de dia cansativo. Não estou aqui para turismo, por isso “dá para os gastos”.
De manhã somos recebidos com chuva e trovoada, um pequeno-almoço ainda mais minimalista que a decoração do hotel, onde as metades de “baguettes” torradas parecem ter sobrevivido penosamente ao fim-de-semana todo... Embrenhamo-nos de novo pelo labirinto da capital argelina e consigo avistar, não muito longe mas impossível de alcançar por causa do trânsito imóvel, a chancelaria da embaixada de Portugal com a nossa bandeira desfraldada. Sorrio... É como estar mais perto das origens, sabe bem e dá confiança para a reunião inicial. No centro cosmopolita de Argel, as ruas são largas, geométricas, mas não menos ocupadas por carros, autocarros, motas e pessoas e mais pessoas... Os prédios são altos, brancos, preenchidos por varandas de ferro forjado azul marinho, cada uma com a sua antena parabólica... Ao nível do rés-do-chão, grandes colunas criam arcadas que protegem as lojas e os transeuntes da chuva que vai caindo, rematando o toque colonial das avenidas. Não consigo perceber se há mais mulheres ou homens na rua, mas certamente vejo mais homens, aparentemente sem nenhuma ocupação, conversando animadamente nos passeios. Há muitos polícias, mas o caos automobilístico não desaparece.
Ao almoço podemos comprovar a qualidade do pescado fresco grelhado que aqui se consome, com um acompanhamento não menos delicioso que incluiu massa (espirais, mais concretamente) e cebola e nabiças salteadas. O mais chato é ter que levar com o fumo do tabaco... Sim, aqui pode-se fumar. Depois do trabalho finalizado, seguimos para o aeroporto, depois de passar amíude por mais controlos policiais e por 4 controlos seguidos mesmo à entrada do nosso destino. O check-in foi demorado e a espera pelo avião ainda pior... Atraso de duas horas. Para matar o tempo, conversa-se, anda-se e quando a fome apertou comprou-se chocolate Milka, modelo “Dark Alpine Milk Chocolate” e um pacote de “galletas rellenas de crema de fresa” da marca “Elgorriaga” (que parece que existe desde 1700...). Tudo, como puderam ler, produtos argelinos!O vôo foi, no mínimo, massacrante ao ponto de me ter feito enjoar nos últimos 10mn com a ajuda da turbulência. Voámos para o este da Argélia, muito perto da fronteira com a Tunisia, para uma cidade chamada Annaba. As ruas aqui parecem mais desertas, mas os nossos amigos polícias continuam a controlar tudo... Incluindo um dos jipes que faz parte da nossa comitiva, atrasando-nos ainda mais. O nosso “poiso” para as próximas três noites é o Hotel Seybouse, cinco estrelas. Fez-me logo lembrar aqueles prédios nas esquinas da Avenida de Roma quando se vem da Avenida dos Estados Unidos da América, só que um pouco mais alto (estamos todos no 11º piso). Na tradição do mais “kitch” possível, o interior é uma réplica fiel de um edíficio comunista, cuja decoração retro dos quartos nos transporta para um antigo filme de espiões da época da guerra fria. Peculiar, “sui generis”, mas engraçado.
Pena a internet respeitar estes pregaminhos e não me deixar postar este longo texto. Vão ter de esperar por amanhã, quando estiver no lobby. Ah! E não houve jantar, por isso contentei-me com o resto das “galletas”...
Chegada a Argel, já de noite no Domingo. Encontrámo-nos todos num aeroporto moderno e com boas condições. O nosso contacto já nos esperava e assim que recolhemos as malas, fomos conduzidos ao hotel. Passámos por auto-estradas com controlos policiais que reduzem as faixas de três para uma , dificultando o trânsito, já de si complicado. Conduz-se depressa, sem respeitar os traços nas vias ou os piscas. Vamos num jipe e o condutor acha-se todo poderoso porque enfia o veículo na direcção programada sem pedir licença. Deixamos as estradas maiores e entramos em ruinhas e ruelas ziguezagueantes, ora a subir, ora a descer... Passamos por ruas apinhadas de carros estacionados dos dois lados, num labirinto que parece não ter fim. Finalmente, depois de uma subida mais desafogada, chegamos ao destino, o Hotel El Biar. Nada de especial, muito pelo contrário. Decoração minimalista sem gosto nenhum, corredores de quartos que fazem lembrar os prédios dos anos 50 em Lisboa... Há internet à borla, o que é sempre bom, e um restaurante com comida barata e boa e que soube mesmo bem para um final de dia cansativo. Não estou aqui para turismo, por isso “dá para os gastos”.
De manhã somos recebidos com chuva e trovoada, um pequeno-almoço ainda mais minimalista que a decoração do hotel, onde as metades de “baguettes” torradas parecem ter sobrevivido penosamente ao fim-de-semana todo... Embrenhamo-nos de novo pelo labirinto da capital argelina e consigo avistar, não muito longe mas impossível de alcançar por causa do trânsito imóvel, a chancelaria da embaixada de Portugal com a nossa bandeira desfraldada. Sorrio... É como estar mais perto das origens, sabe bem e dá confiança para a reunião inicial. No centro cosmopolita de Argel, as ruas são largas, geométricas, mas não menos ocupadas por carros, autocarros, motas e pessoas e mais pessoas... Os prédios são altos, brancos, preenchidos por varandas de ferro forjado azul marinho, cada uma com a sua antena parabólica... Ao nível do rés-do-chão, grandes colunas criam arcadas que protegem as lojas e os transeuntes da chuva que vai caindo, rematando o toque colonial das avenidas. Não consigo perceber se há mais mulheres ou homens na rua, mas certamente vejo mais homens, aparentemente sem nenhuma ocupação, conversando animadamente nos passeios. Há muitos polícias, mas o caos automobilístico não desaparece.
Ao almoço podemos comprovar a qualidade do pescado fresco grelhado que aqui se consome, com um acompanhamento não menos delicioso que incluiu massa (espirais, mais concretamente) e cebola e nabiças salteadas. O mais chato é ter que levar com o fumo do tabaco... Sim, aqui pode-se fumar. Depois do trabalho finalizado, seguimos para o aeroporto, depois de passar amíude por mais controlos policiais e por 4 controlos seguidos mesmo à entrada do nosso destino. O check-in foi demorado e a espera pelo avião ainda pior... Atraso de duas horas. Para matar o tempo, conversa-se, anda-se e quando a fome apertou comprou-se chocolate Milka, modelo “Dark Alpine Milk Chocolate” e um pacote de “galletas rellenas de crema de fresa” da marca “Elgorriaga” (que parece que existe desde 1700...). Tudo, como puderam ler, produtos argelinos!O vôo foi, no mínimo, massacrante ao ponto de me ter feito enjoar nos últimos 10mn com a ajuda da turbulência. Voámos para o este da Argélia, muito perto da fronteira com a Tunisia, para uma cidade chamada Annaba. As ruas aqui parecem mais desertas, mas os nossos amigos polícias continuam a controlar tudo... Incluindo um dos jipes que faz parte da nossa comitiva, atrasando-nos ainda mais. O nosso “poiso” para as próximas três noites é o Hotel Seybouse, cinco estrelas. Fez-me logo lembrar aqueles prédios nas esquinas da Avenida de Roma quando se vem da Avenida dos Estados Unidos da América, só que um pouco mais alto (estamos todos no 11º piso). Na tradição do mais “kitch” possível, o interior é uma réplica fiel de um edíficio comunista, cuja decoração retro dos quartos nos transporta para um antigo filme de espiões da época da guerra fria. Peculiar, “sui generis”, mas engraçado.
Pena a internet respeitar estes pregaminhos e não me deixar postar este longo texto. Vão ter de esperar por amanhã, quando estiver no lobby. Ah! E não houve jantar, por isso contentei-me com o resto das “galletas”...
domingo, 21 de novembro de 2010
Aeroporto de Dublin
"On the road again...", mas se calhar deveria dizer "on the air again...". Estou no lounge do aeroporto de Dublin a fazer tempo até embarcar para Paris e depois sigo para a Argélia. Repito o continente africano, mas desta vez a parte que está mais próxima da Europa. Vai-se falar muito francês e algum espanhol. O mais curioso é que vou viajar sozinho até Argel, onde espero encontrar o resto da minha equipa: o "grande" com quem me fartei de aprender no Ghana e uma colega espanhola que esteve comigo no Canada o ano passado. Mas desta vez quem manda sou EU!
Quando regressar já estaremos em Dezembro e a pensar no Natal e nas férias... Que bom! Até pode ser que haja neve na Irlanda, quem sabe? Pena ter de escrever o relatório quando voltar, mas vou tentar fazê-lo bem depressa para ficar despachado e dedicar-me mais à quadra natalícia.
Como sempre, vou escrevendo e partilhando quando puder, ok?
Um abraço.
Quando regressar já estaremos em Dezembro e a pensar no Natal e nas férias... Que bom! Até pode ser que haja neve na Irlanda, quem sabe? Pena ter de escrever o relatório quando voltar, mas vou tentar fazê-lo bem depressa para ficar despachado e dedicar-me mais à quadra natalícia.
Como sempre, vou escrevendo e partilhando quando puder, ok?
Um abraço.
sábado, 30 de outubro de 2010
Aeroporto de Heathrow, Londres
A missão terminou e a equipa dividiu-se. O meu colega francês e eu decidimos oferecer uma prenda à nossa colega espanhola como agradecimento pela excelente companhia. Ela vai ficar mais uns dias em Toronto, com a família, para ir ver as cataratas do Niagara. Despedimo-nos com uma cerveja e guardámos o momento para a posteridade.
Depois de 6h30 de vôo, dois filmes e meio, un jantar e uma tentativa falhada de dormir, chegámos a Londres pelas 6h10 da manhã (ou melhor, 1h10 de Otava...). O avião ainda andou às voltas pelo sul de Londres para fazer tempo porque não se pode aterrar antes das 6 da manhã. Como não estava enevoado, deu para ver a "London Bridge" iluminada por potentes holofotes e a roda gigante a que chamam "The Eye", a mesma que o Quarteto Fantástico salvou num dos seus filmes.
Este aeroporto é um labirinto! Acho que andei mais de 30mn só para chegar até ao lounge da "bmi", sem contar a viagem de autocarro do terminal 3 até ao terminal 1. Já no lounge, vazio, silencioso, reclámamos uns quantos sofás como nossos e instalámo-nos à vontade. Confesso que dormir num passo pequenino não é o melhor dos descansos mas deu para recuperar um pouco.
Acabaram de nos chamar para a última etapa... Vamos lá então, porque já temos saudades de casa e de quem nos espera!!
Beijinhos abraços e até à próxima!
Depois de 6h30 de vôo, dois filmes e meio, un jantar e uma tentativa falhada de dormir, chegámos a Londres pelas 6h10 da manhã (ou melhor, 1h10 de Otava...). O avião ainda andou às voltas pelo sul de Londres para fazer tempo porque não se pode aterrar antes das 6 da manhã. Como não estava enevoado, deu para ver a "London Bridge" iluminada por potentes holofotes e a roda gigante a que chamam "The Eye", a mesma que o Quarteto Fantástico salvou num dos seus filmes.
Este aeroporto é um labirinto! Acho que andei mais de 30mn só para chegar até ao lounge da "bmi", sem contar a viagem de autocarro do terminal 3 até ao terminal 1. Já no lounge, vazio, silencioso, reclámamos uns quantos sofás como nossos e instalámo-nos à vontade. Confesso que dormir num passo pequenino não é o melhor dos descansos mas deu para recuperar um pouco.
Acabaram de nos chamar para a última etapa... Vamos lá então, porque já temos saudades de casa e de quem nos espera!!
Beijinhos abraços e até à próxima!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
O 7 em 1, live from Ottawa!
E por favor nada de piadinhas futebolísticas!!! Não é o 7 a 1...
Vou tentar resumir num post os últimos sete dias em que não vi aqui partilhar as minhas experiências no Canada. Vamos lá então...
Sexta-feira, 22 de Outubro:
Visitámos uma fábrica de manhã e não houve tempo para mais porque tivemos de voar de Halifax para St. John a meio da tarde num pequeníssimo avião de 18 lugares!! Os meus colegas entraram primeiro e uma vez dentro do avião repararam que não havia casa de banho! Tiveram de sair, pegar na bagagem de mão e voltar para o terminal até encontrarem uma. Entretanto, os outros passageiros esperavam e eu também lá bem atrás na última fila. Logicamente, eles foram os últimos a entrar no avião e passámos o resto da viagem a rir e a tirar fotos e a dormir também. Aterrámos na província de New Brunswick, no diminuto aeroporto de St. John e uma vez no taxi perguntámos se havia algum restaurante interessante que servisse marisco. O taxista indicou-nos o Billy's como referência. No hotel, onde supostamente eu tinha reservado uns bons quartos no piso do "Executive Club", deram-nos uns quartos mínimos nos cantos do edíficio onde mal podíamos entrar e andar se a mala estivesse aberta... Enfim, decidimos tratar do assunto depois do jantar... O Billy's estava à espera! E ainda bem que fomos... Comemos umas deliciosas lagostas e bebemos umas cervejas canadianas para começar a relaxar e aproveitar o fim-de-semana. Depois do jantar descobrimos um barzinho chamado "hapinezz" onde conersámos e rimos mais um pouco. Fomos inspiradíssimos pela noite divertida pedir para mudar para quartos melhores já que íamos ficar por três noites e lá nos resolveram o problema.
Fomos dormir bem mais confortáveis!
Sábado, 23 de Outubro:
Depois do pequeno almoço, decidi trabalhar pela manhã para poder contribuir o máximo para a missão durante o fim-de-semana e depois do almoço, que mais uma vez foi bom e divertido, andei a passear pelo único centro comercial da cidade antes de voltar para mais umas horitas de trabalho. Acabámos o dia outra vez no "hapinezz" a confraternizar. É sempre bom, do meu ponto de vista, poder ter colegas mais velhos, com diferentes experiências, com quem se pode conversar, aprender e até... brincar.
Domingo, 24 de Outubro:
Manhã sossegada, tarde ocupadíssima. Tomámos conta do "Executive lounge", espalhámos os nossos documentos, pastas, computadores e foi trabalhar até às 21h, sem parar, mas sempre motivados. A noite foi mais calma, por isso nada de "late drink" porque na segunda havia que levantar cedinho.
Segunda-feira, 25 de Outubro:
Uma viagem de carro de 40mn levou-nos a outra cidade de New Brunswick, chamada St. George. Pequena, muito pequena, sem grandes lojas ou supermercados. Mal nós sabíamos que nem sequer sítios para comer havia!!! Ficámos alojados no "Granite Town Hotel", de três estrelas e meia (sim, leram bem, 3 e meia... tal como no cartaz gigante à beira da estrada anunciava). Depois de conhecer as colegas do serviço local, atravessámos um bocadinho da baía até à "Deer Island", num ferry "sui generis". Um pequeno barco agarrado a uma plataforma onde se cabem 5 ou 6 carros...Já do lado de lá, íamos atropelando um veado pelo caminho!!! Passámos o resto da tarde num estabelecimento de lagostas. Acho que nunca tinha visto tantas!! E tão bonitas! No regresso falhámos o ferry e tivemos de esperar 45mn até chegar o ferry "grande" (onde cabem mais dois ou três carritos...). Chegámos ao hotel 10mn depois da cozinha fechar e tivemos de descobrir onde comer aquela hora. Acabámos num bar, o único lá da terrinha, já todo decorado para a festa de halloween, onde a moda é ter jeans rasgados a mostrar o pernil, com um prato de galinha frita e batatas. Melhor que nada!
Terça-feira, 26 de Outubro:
Trabalho, trabalho e mais trabalho... Mas nada de que me queixar! É sempre bem vindo! Pelo meio aproveitamos para ver as paisagens, os rios, as cores das árvores... Uma colega nossa sugeriu então que fossemos a um sítio mais simpático com boa comida. Ficava a 25 mn a pé do hotel o que nos fez andar um pouco, mas já sobre uma chuvinha molha-todos. À noite, mais trabalhinho.
Quarta-feira, 27 de Outubro:
Último dia de visitas no terreno. Uma chuva estúpida, daquelas que está sempre a mudar de direcção não nos largou quase o dia todo. Só foi substituída por um nevoeiro tramado que não deixou o avião que nos ia levar a Montréal aterrar... Resultado: um atraso de 1h30 e uma chegada tardia a Otava. No aeroporto de Montréal, jantámos num bar onde os meus colegas, grandes valentes, pediram umas cervejas "large"... Estamos a falar de canecas de vidro com 1l de cerveja dentro!!! Se vissem a cara da minha colega espanhola... De morrer a rir!!! Nem conseguia pegar na caneca só com uma mão!!! Demais... Para mais tarde recordar!
Quinta-feira, 28 de Outubro:
Ou seja, hoje para mim, já amanhã para vocês e para o blogue. Trabalhei o mais que pude ontem de noite para ficar com a manhã mais desafogada. Aproveitei para dar um passeio, mas acabei dentro de um centro comercial para me refugiar do vento frio que fazia. E fiz as minhas primeiras compras de sempre no famoso armazém "Sears"!. Foi bom para distrair e fazer um pouco de exercício. Depois do almoço, uma sestinha e mais trabalho para finalizar tudo. Estamos prontos para a reunião final de amanhã e confiantes de que esta foi uma das missões mais simpáticas que já fizemos. Amanhã o regresso é pela noite dentro com chegada prevista a Londres pelas 06h30... Saudades de casa!!
E pronto! o 7 em 1 está feito! E como diz a minha colega espanhola "me lo pasé bomba!!"
Vou tentar resumir num post os últimos sete dias em que não vi aqui partilhar as minhas experiências no Canada. Vamos lá então...
Sexta-feira, 22 de Outubro:
Visitámos uma fábrica de manhã e não houve tempo para mais porque tivemos de voar de Halifax para St. John a meio da tarde num pequeníssimo avião de 18 lugares!! Os meus colegas entraram primeiro e uma vez dentro do avião repararam que não havia casa de banho! Tiveram de sair, pegar na bagagem de mão e voltar para o terminal até encontrarem uma. Entretanto, os outros passageiros esperavam e eu também lá bem atrás na última fila. Logicamente, eles foram os últimos a entrar no avião e passámos o resto da viagem a rir e a tirar fotos e a dormir também. Aterrámos na província de New Brunswick, no diminuto aeroporto de St. John e uma vez no taxi perguntámos se havia algum restaurante interessante que servisse marisco. O taxista indicou-nos o Billy's como referência. No hotel, onde supostamente eu tinha reservado uns bons quartos no piso do "Executive Club", deram-nos uns quartos mínimos nos cantos do edíficio onde mal podíamos entrar e andar se a mala estivesse aberta... Enfim, decidimos tratar do assunto depois do jantar... O Billy's estava à espera! E ainda bem que fomos... Comemos umas deliciosas lagostas e bebemos umas cervejas canadianas para começar a relaxar e aproveitar o fim-de-semana. Depois do jantar descobrimos um barzinho chamado "hapinezz" onde conersámos e rimos mais um pouco. Fomos inspiradíssimos pela noite divertida pedir para mudar para quartos melhores já que íamos ficar por três noites e lá nos resolveram o problema.
Fomos dormir bem mais confortáveis!
Sábado, 23 de Outubro:
Depois do pequeno almoço, decidi trabalhar pela manhã para poder contribuir o máximo para a missão durante o fim-de-semana e depois do almoço, que mais uma vez foi bom e divertido, andei a passear pelo único centro comercial da cidade antes de voltar para mais umas horitas de trabalho. Acabámos o dia outra vez no "hapinezz" a confraternizar. É sempre bom, do meu ponto de vista, poder ter colegas mais velhos, com diferentes experiências, com quem se pode conversar, aprender e até... brincar.
Domingo, 24 de Outubro:
Manhã sossegada, tarde ocupadíssima. Tomámos conta do "Executive lounge", espalhámos os nossos documentos, pastas, computadores e foi trabalhar até às 21h, sem parar, mas sempre motivados. A noite foi mais calma, por isso nada de "late drink" porque na segunda havia que levantar cedinho.
Segunda-feira, 25 de Outubro:
Uma viagem de carro de 40mn levou-nos a outra cidade de New Brunswick, chamada St. George. Pequena, muito pequena, sem grandes lojas ou supermercados. Mal nós sabíamos que nem sequer sítios para comer havia!!! Ficámos alojados no "Granite Town Hotel", de três estrelas e meia (sim, leram bem, 3 e meia... tal como no cartaz gigante à beira da estrada anunciava). Depois de conhecer as colegas do serviço local, atravessámos um bocadinho da baía até à "Deer Island", num ferry "sui generis". Um pequeno barco agarrado a uma plataforma onde se cabem 5 ou 6 carros...Já do lado de lá, íamos atropelando um veado pelo caminho!!! Passámos o resto da tarde num estabelecimento de lagostas. Acho que nunca tinha visto tantas!! E tão bonitas! No regresso falhámos o ferry e tivemos de esperar 45mn até chegar o ferry "grande" (onde cabem mais dois ou três carritos...). Chegámos ao hotel 10mn depois da cozinha fechar e tivemos de descobrir onde comer aquela hora. Acabámos num bar, o único lá da terrinha, já todo decorado para a festa de halloween, onde a moda é ter jeans rasgados a mostrar o pernil, com um prato de galinha frita e batatas. Melhor que nada!
Terça-feira, 26 de Outubro:
Trabalho, trabalho e mais trabalho... Mas nada de que me queixar! É sempre bem vindo! Pelo meio aproveitamos para ver as paisagens, os rios, as cores das árvores... Uma colega nossa sugeriu então que fossemos a um sítio mais simpático com boa comida. Ficava a 25 mn a pé do hotel o que nos fez andar um pouco, mas já sobre uma chuvinha molha-todos. À noite, mais trabalhinho.
Quarta-feira, 27 de Outubro:
Último dia de visitas no terreno. Uma chuva estúpida, daquelas que está sempre a mudar de direcção não nos largou quase o dia todo. Só foi substituída por um nevoeiro tramado que não deixou o avião que nos ia levar a Montréal aterrar... Resultado: um atraso de 1h30 e uma chegada tardia a Otava. No aeroporto de Montréal, jantámos num bar onde os meus colegas, grandes valentes, pediram umas cervejas "large"... Estamos a falar de canecas de vidro com 1l de cerveja dentro!!! Se vissem a cara da minha colega espanhola... De morrer a rir!!! Nem conseguia pegar na caneca só com uma mão!!! Demais... Para mais tarde recordar!
Quinta-feira, 28 de Outubro:
Ou seja, hoje para mim, já amanhã para vocês e para o blogue. Trabalhei o mais que pude ontem de noite para ficar com a manhã mais desafogada. Aproveitei para dar um passeio, mas acabei dentro de um centro comercial para me refugiar do vento frio que fazia. E fiz as minhas primeiras compras de sempre no famoso armazém "Sears"!. Foi bom para distrair e fazer um pouco de exercício. Depois do almoço, uma sestinha e mais trabalho para finalizar tudo. Estamos prontos para a reunião final de amanhã e confiantes de que esta foi uma das missões mais simpáticas que já fizemos. Amanhã o regresso é pela noite dentro com chegada prevista a Londres pelas 06h30... Saudades de casa!!
E pronto! o 7 em 1 está feito! E como diz a minha colega espanhola "me lo pasé bomba!!"
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Até parece que ninguém liga nenhuma a isto... nem eu!
Mas é mentira!!!
Deve ser do isolamento que se sente aqui em St. George, pequena cidade da província de New Brunswick...
Andamos todos tão atarefados com as nossas vidas que acabamos por não ter tempo para tudo...
No Canada está-se muito bem mas também se trabalha bastante e daí o fim do dia não permitir tanta "liberdade" para vir aqui partilhar convosco o que se vai passando (são vinte para as 02h00 e acabei há pouco de terminar uns documentos com a minha contribuição para a missão...).
Mas eu vou contar!!! Eu sei que vou... só não sei é quando!ehehehehe!!!
Enfim... Amanhã dia motivador pela frente porque vou substituir o inspector "lead" durante o dia todo. Que bom! Vamos a isso! Mas primeiro uma soneca, ok?
Tenham um bom dia!
Deve ser do isolamento que se sente aqui em St. George, pequena cidade da província de New Brunswick...
Andamos todos tão atarefados com as nossas vidas que acabamos por não ter tempo para tudo...
No Canada está-se muito bem mas também se trabalha bastante e daí o fim do dia não permitir tanta "liberdade" para vir aqui partilhar convosco o que se vai passando (são vinte para as 02h00 e acabei há pouco de terminar uns documentos com a minha contribuição para a missão...).
Mas eu vou contar!!! Eu sei que vou... só não sei é quando!ehehehehe!!!
Enfim... Amanhã dia motivador pela frente porque vou substituir o inspector "lead" durante o dia todo. Que bom! Vamos a isso! Mas primeiro uma soneca, ok?
Tenham um bom dia!
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Dartmouth, Nova Scotia, Canada - Part I, II e III
Se eu não escrevesse um post daqui vocês não acreditavam que eu tinha passado por aqui, pois não? Se recuarem até ao ano passado, lá para Setembro, devem descobrir uns posts a descrever esta cidade e a outra também muito conhecida, Halifax, que fica do outro lado do rio.
Por isso não percamos mais tempo e avancemos até porque amanhã tenho de acordar às 05h45...
Ora bem... Dia tranquilo, muitas reuniões, perguntas, respostas, documentos, apontamentos... O costume. Tivemos mais frio e pela primeira vez desde que chegámos chuva e parece que amanhã ainda vai estar pior. Mas como estamos de partida ao final do dia, pode ser que não nos afecte muito.
Ao almoço tive o meu primeiro cheirinho de Natal quando parámos num restaurante a caminho de uma fábrica de peixe. Para além de comida (que era muito boa) também vendiam todo o tipo de coisas como roupa quentinha para o inverno, velas e afins decorativos, molhos, especiarias e apetrechos de cozinha e... decorações de Natal!!! Em madeira ou de vidro, mas todas a lembrar que a época natalícia está a chegar com todas aquelas coisas boas que nos aquecem o coração. Por falar nisto, tenho de ver se arranjo um presépio... De notar que no restaurante só estava sentada toda a ala feminina septuagenária das redondezas. Umas queridas! E a lareira a crepitar o tempo todo...
Tendo dado o dia por terminado pelas 18h00, decidimos dar descanso ao nosso colega que também tem servido de motorista, e fomos de táxi até ao restaurante que nos recomendaram no hotel. Atalho de foice, o Country Inn onde estamos instalados é tal e qual um em que estive o ano passado num sítio qualquer isolado do Canada, ou seja, piroso... Mas tem net à borla! O taxista que nos levou até ao restaurante era bielorusso, de seu nome Alex, há 20 anos no Canada e cidadão canadiano por direito. Mas muita maluco!!! Não conseguia conduzir com as mãos quietas no volante, sempre a levantar os cotovelos como se fosse uma galinha cheia de tiques nas asas e falava sem parar... Falou da família, da mulher, do passaporte Canadiano e dos países que agora podia visitar e que antes não era capaz por causa do passaporte Bielorusso, dos estudos na Academia da Marinha em Murmansk... Fez montes de perguntas e no fim saiu-se com esta para o nosso colega canadiano (para ler com pronúncia russa, como nos filmes):
"- Could you tell me who was special agent who broke down fish industry in New Foundland? Do you know it? Please, tell me! Before New Foundland full of fish and industry, but now empty! Totally broken! Must have been foreign enemy agent!". Isto enquanto abria os olhos esbugalhados e agitava os braços sem parar... Um espectáculo, digo eu!
No restaurante recomendado, o "The Mic Mac Bar and Grill" comeu-se divinalmente... Bons bifes, suculentos e tenros e um puré de cenoura delicioso. Ainda arranjei coragem para uma sobremesa, um "apple crisp". Regámos tudo com cerveja da terra, sempre em amena e divertida cavaqueira. No regresso, acho que fomos conduzidos por Gandalf, o Branco, mas com menos trinta quilos que o original do filme do Senhor dos Anéis.
Tenham uma boa noite ou bom dia conforme desejarem!
Ah! E aprendi duas novas palavras em espanhol: "ganduleria" e "gandul". Adivinham o que querem dizer?
Por isso não percamos mais tempo e avancemos até porque amanhã tenho de acordar às 05h45...
Ora bem... Dia tranquilo, muitas reuniões, perguntas, respostas, documentos, apontamentos... O costume. Tivemos mais frio e pela primeira vez desde que chegámos chuva e parece que amanhã ainda vai estar pior. Mas como estamos de partida ao final do dia, pode ser que não nos afecte muito.
Ao almoço tive o meu primeiro cheirinho de Natal quando parámos num restaurante a caminho de uma fábrica de peixe. Para além de comida (que era muito boa) também vendiam todo o tipo de coisas como roupa quentinha para o inverno, velas e afins decorativos, molhos, especiarias e apetrechos de cozinha e... decorações de Natal!!! Em madeira ou de vidro, mas todas a lembrar que a época natalícia está a chegar com todas aquelas coisas boas que nos aquecem o coração. Por falar nisto, tenho de ver se arranjo um presépio... De notar que no restaurante só estava sentada toda a ala feminina septuagenária das redondezas. Umas queridas! E a lareira a crepitar o tempo todo...
Tendo dado o dia por terminado pelas 18h00, decidimos dar descanso ao nosso colega que também tem servido de motorista, e fomos de táxi até ao restaurante que nos recomendaram no hotel. Atalho de foice, o Country Inn onde estamos instalados é tal e qual um em que estive o ano passado num sítio qualquer isolado do Canada, ou seja, piroso... Mas tem net à borla! O taxista que nos levou até ao restaurante era bielorusso, de seu nome Alex, há 20 anos no Canada e cidadão canadiano por direito. Mas muita maluco!!! Não conseguia conduzir com as mãos quietas no volante, sempre a levantar os cotovelos como se fosse uma galinha cheia de tiques nas asas e falava sem parar... Falou da família, da mulher, do passaporte Canadiano e dos países que agora podia visitar e que antes não era capaz por causa do passaporte Bielorusso, dos estudos na Academia da Marinha em Murmansk... Fez montes de perguntas e no fim saiu-se com esta para o nosso colega canadiano (para ler com pronúncia russa, como nos filmes):
"- Could you tell me who was special agent who broke down fish industry in New Foundland? Do you know it? Please, tell me! Before New Foundland full of fish and industry, but now empty! Totally broken! Must have been foreign enemy agent!". Isto enquanto abria os olhos esbugalhados e agitava os braços sem parar... Um espectáculo, digo eu!
No restaurante recomendado, o "The Mic Mac Bar and Grill" comeu-se divinalmente... Bons bifes, suculentos e tenros e um puré de cenoura delicioso. Ainda arranjei coragem para uma sobremesa, um "apple crisp". Regámos tudo com cerveja da terra, sempre em amena e divertida cavaqueira. No regresso, acho que fomos conduzidos por Gandalf, o Branco, mas com menos trinta quilos que o original do filme do Senhor dos Anéis.
Tenham uma boa noite ou bom dia conforme desejarem!
Ah! E aprendi duas novas palavras em espanhol: "ganduleria" e "gandul". Adivinham o que querem dizer?
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Liverpool, Nova Scotia, Canada
Segundo dia despachado. O tempo continua solarengo, mas o frio aperta um bocado mais para o final da tarde. Não há muito para contar porque tudo está a correr bem: bons colegas, competentes, interessados e boas companhias.
Viajámos de carro até esta pequena cidade, um pouco mais para sul da província de Nova Escócia, chamada Liverpool e vimos a beleza da paisagem... Árvores, lagos, rios... Um regalo para os olhos!
Estamos hospedados num Best Western novinho em folha e, pelo mesmo preço que paguei ontem, estou num quarto com o triplo do tamanho, uma casa de banho gigante e tudo a cheirar a novo e muito confortável! Sou um sortudo!
Abraços.
Viajámos de carro até esta pequena cidade, um pouco mais para sul da província de Nova Escócia, chamada Liverpool e vimos a beleza da paisagem... Árvores, lagos, rios... Um regalo para os olhos!
Estamos hospedados num Best Western novinho em folha e, pelo mesmo preço que paguei ontem, estou num quarto com o triplo do tamanho, uma casa de banho gigante e tudo a cheirar a novo e muito confortável! Sou um sortudo!
Abraços.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Ottawa, Ontario, Canada - Part II
Estamos os três, uma espanhola, um francês e um português com os nossos laptops no colo, à frente da porta de embarque para o vôo que nos vai levar para Halifax, na província de Nova Escócia. A reunião inicial já é passado e correu bem. Tempo para consultar os e-mails do trabalho...
A nossa colega, que veio como observadora, definiu-nos como "transformers". Isto é, ontem erámos uns colegas descontraídos e relaxados e desde hoje de manhã, vestimos a pele de inspectores e transformámo-nos em pessoas diferentes. Até pensei no princípio que fosse por causa do fato e da gravata e da barba feita... Mas não. Confesso que nunca me tinham dito tal coisa e até achei piada e acabámos todos a rir.
Para já, tudo a correr bem e o tempo a fazer maravilhas às cores com que as árvores nos brindam!
Até loguinho.
A nossa colega, que veio como observadora, definiu-nos como "transformers". Isto é, ontem erámos uns colegas descontraídos e relaxados e desde hoje de manhã, vestimos a pele de inspectores e transformámo-nos em pessoas diferentes. Até pensei no princípio que fosse por causa do fato e da gravata e da barba feita... Mas não. Confesso que nunca me tinham dito tal coisa e até achei piada e acabámos todos a rir.
Para já, tudo a correr bem e o tempo a fazer maravilhas às cores com que as árvores nos brindam!
Até loguinho.
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